Jundiaí do Sul

Há três anos famílias clamam por justiça

Suposto confronto promovido por policiais militares contra quatro rapazes da cidade completou três anos nesta quarta-feira (25)

Carro em que as vítimas viajavam foi atingido por mais de 50 tiros de fuzil e pistola
CRÉDITO: Antônio de Picolli – Arquivo

Da Redação


Para a maioria das pessoas esta quarta-feira (25) foi um dia como outro qualquer, mas para quatro famílias de Jundiaí do Sul, Norte Pioneiro do Paraná, a data marca uma angustiante espera de três anos à espera de justiça, que parece cada vez mais distante. São os familiares de quatro garotos, todos com pouco mais de 20 anos, dos quais, três encontraram a morte trágica sob as balas dilacerantes disparadas por nove dos 12 policiais militares que montaram um bloqueio na PR-218, a menos de dois quilômetros do trevo de acesso a esta cidade.

As vítimas estavam felizes porque reencontrariam seus familiares depois de meses trabalhando em Curitiba. Dos quatro ocupantes do veículo, um GM Celta dirigido por Danilo Pontes, o único sobrevivente ao que se convencionou chamar de “chacina de Jundiaí do Sul”, apenas um tinha antecedentes criminais, Claudinei Pereira da Silva, que havia se envolvido numa confusão com um policial militar de Ribeirão do Pinhal, fato visto como o motivo que o condenou a morte.

Claudinei não fazia parte do grupo. Ele ficou sabendo que os amigos iriam visitar os familiares em Jundiaí do Sul e pediu carona. Pelas informações passadas pela pelo próprio comandante da operação, coronel Antônio Carlos de Morais, ele vinha sendo monitorado pelo serviço reservado (P2) da PM.

Para o cabo da reserva da Polícia Militar, Antônio Aparecido Machado de Pontes, pai do único sobrevivente, o agente de seguro Danilo Morais de Pontes, 28, os três outros jovens que estavam no carro do seu filho foram executados pelos policiais. A Polícia Civil confirmou que Danilo e outros dois jovens que morreram não tinham histórico de crimes.

Danilo Pontes levou mais de 20 tiros e, como sequela, perdeu os movimentos da mão direita, devido ao dilaceramento do pulso causado por um projétil. “Meu filho e dois dos passageiros nunca tiveram passagem pela polícia. Eles trabalharam o dia todo no sábado e decidiram vir para Jundiaí do Sul no início da noite, e aceitaram dar carona para o Claudinei (Pereira da Silva), que era procurado pela polícia. Foram dezenas de disparos de fuzil e ponto 40. Não sei como o meu filho está vivo”, desabafa.

Inquérito arquivado

Depois da dor da perda de três entes queridos, as famílias agora convivem com a certeza da impunidade já que as investigações envolvendo o episódio estão completamente paralisadas por decisão do juiz, Sérgio Bernardinetti, da Vara Militar da Capital, que declarou a total nulidade do inquérito policial sob alegação de que a competência para investigar delitos envolvendo militares em supostos crimes contra civis é competência exclusiva da Polícia Militar.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) recorreu ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), esperando reverter a decisão do juiz Bernardinetti, mas até agora não há novidade sobre o processo. O magistrado foi afastado da Vara Militar por decisões que contrariam dispositivos emanados do Superior Tribunal de justiça. 

O pedido de trancamento das investigações foi apresentado pelo coronel Antônio Carlos de Morais, comandante da operação que resultou na morte de três jovens e graves ferimentos graves em um quarto ocupante de um carro alvejado por mais de 50 tiros. Atualmente Morais é subcomandante-geral da Polícia Militar do Paraná.

Há um clima de apreensão e revolta entre os familiares das vítimas do caso. Eles veem as manobras jurídicas como tentativa de impedir que as investigações cheguem ao final. O único sobrevivente do episódio popularmente chamado como “chacina de Jundiaí do Sul”, Danilo de Pontes, filho do cabo da reserva da PM, Antônio de Pontes, o Tunicão, está inconformado com o arquivamento do inquérito, mas acredita que o Tribunal de Justiça irá reverter a sentença do juiz militar que paralisou as investigações.

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