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Há tempo a um mundo melhor

Amadeu Garrido de Paula


Não há tempo, mas nossos relógios e calendários nos oprimem em seu nome.

Alguém disse que a vida é um raio, por isso o teme.

Shopenhauer sumariava o paradoxo:  como esse é o pior dos mundos possíveis, devemos aproveitar ao máximo nossos segundos.

Quando não necessitamos do tempo, sua malvadeza nos faz tediosos.

No momento em que é preciso agir, como nas guerras, o tempo corta e mata.

Contou-me um bravo servidor brasileiro das forças de paz da ONU que os torpedeavam de ambos os lados. À noite, era preciso migrar e cavar novas trincheiras. Ao alvorecer, percebiam a de ontem picotada por projetis.

Um amigo enlouqueceu e partiu para cima dos inimigos. Foi contido por uma pá desferida na cabeça pois iria identificar suas posições. Depois de muitos anos, já experientes da vida, encontravam-se num bairro de São Paulo; e o enlouquecido agradecia pelo impacto.

Falamos em anos, mas o fato, observado tardiamente, é que em alguns momentos alcançamos a senectude. E nela passamos a mirar o que fomos, o homem e a vida.

Se o planeta terra é um milagre de conjugação de fatores e acontecimentos naturais, não é possível que não tenhamos uma missão.

Estou firmemente convencido de que do nascimento à morte nossa missão é lutar – pela paz e pela justiça.  O núcleo duro do bom pensamento: observar o outro como fim, jamais como meio – Kant.  Esse seria nosso norte, de nossos consortes grupais e dos políticos. Infelizmente, poucos dominam o conceito de justiça, desde os velhos fundamentos greco-romanos.

Muito auxiliaríamos se começássemos por algo prosaico, nosso, provinciano no mundo: tornar amigo, ao invés de inimigo, o Estado brasileiro.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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