Polêmica Ribeirão Claro

Há dois meses sem água, moradora denuncia perseguição

Obras do Parque Ecológico desviaram ou secaram o curso da mina que abastecia a residência da denunciante


 Escavações do Parque Ecológico prejudicam abastecimento de água da moradora 

Da Redação


A moradora de Ribeirão Claro, Deise Freire, denuncia que há aproximadamente dois meses está sem água em casa e não sabe mais o que fazer para ter seus direitos atendidos. Segundo ela, após o início das obras do Parque Ecológico, as escavações nas proximidades da sua casa provavelmente desviaram ou secaram o curso da mina que abastecia a sua moradia. Para Deise, o problema ainda não foi resolvido estritamente por perseguição política.

Por se tratar de um problema causado em virtude das obras da prefeitura, Deise achou que teria seus direitos garantidos, mas não, em todas as vezes que procurou por ajuda no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) foi negada a instalação, em virtude de sua propriedade já ter a ligação de dois hidrômetros – o que segundo a legislação municipal não permite a instalação de um terceiro.

Porém, a moradora justifica que sua mina secou em consequência das escavações e ela não tem qualquer culpa nisso. Deise possui 14 bovinos em um pasto, no qual estão praticamente sem água para beber, pois o açude onde o gado bebia água está seco. A moradora declara que está usando água do rio para lavar roupa, tomar banho e outras necessidades.

“Estou precisando comprar água para beber, fazer comida e para atender meus clientes no pesqueiro. Além disso, estamos em plena pandemia por coronavírus, não tenho água sequer para lavar minha varanda ou máscaras. O médico do meu filho disse que não adianta lavar máscara com água de rio. Estou passando por tudo isso justamente no momento em que a população precisa de mais cuidados com a saúde”, critica a moradora.

Deise conta que chegou a ir até a casa de Antônio Carlos Chiarotti (Cacaio), chefe do SAAE, que está afastado do serviço por ser de grupo de risco, para conversar com ele e expor a situação. “Eu o questionei que ligaram água para outra pessoa nas mesmas condições que a minha. Que eu precisava da ligação de um terceiro hidrômetro, mas em virtude das escavações, sei da legislação, mas fui lesada. No primeiro momento, ele me prometeu que ia abrir uma exceção e resolveria o problema três dias depois. Mas posteriormente ele disse que não poderia ligar a água porque estaria passando por cima da lei”, conta.

Inconformada, há um mês, Deise retornou ao SAAE, na tentativa de reverter essa situação, e foi informada pelo funcionário que teria que falar com o prefeito Mário Pereira. Ele me falou que se o prefeito autorizasse, a água seria ligada. Para mim isso é perseguição política, porque no pleito anterior, eu era do lado dele, mas como deixou a desejar em sua gestão, hoje estou na oposição porque quero o melhor para a cidade. E é por isso que não resolvem meu problema, por politicagem”, acusa.  

Na quinta-feira passada, Deise foi conversar com o maquinista da obra, para perguntar se ele poderia ao menos fazer o favor de cavar com a máquina um trecho para a água escorrer para o gado beber. Mas segundo ela, o encarregado de obras, Odair Zansavio, proibiu o maquinista de fazer os serviços.

Cansada de passar por humilhação, no dia 24 deste mês, Deise registrou na Promotoria de Justiça da Comarca de Ribeirão Claro uma denúncia sobre sua situação. E por orientação do promotor, na mesma data ela protocolou na prefeitura um requerimento de nova ligação de água, pois devido à construção do Parque Ecológico, a escavação secou a mina que abastecia sua residência. “Vou ter que brigar na justiça, porque não posso continuar desse jeito. Meu filho é doente, não posso aceitar que façam isso comigo. É uma situação muito difícil”, lamenta a moradora.

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