Carlópolis

Goiaba de Carlópolis exposta em Feita Internacional em SP

Certificação por entidade da Europa abre as portas do mundo para o produto do Norte Pioneiro

Da Assessoria


Produtores de goiaba de Carlópolis estão em São Paulo onde participam de uma feira internacional de alimentos. Isso está sendo possível depois que o ganhou um selo internacional de indicação geográfica como produtor de goiaba de altíssima qualidade,  abrindo as portas para a exportação, principalmente para a União Europeia.

O objetivo é divulgar a produção de frutas de Carlópolis, principalmente a goiaba. Os produtores recebem apoio da prefeitura,   Sebrae,  Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC)  e a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC).. São três dias de feira em que os expositores apresentam goiaba para degustação, atraindo público e potenciais compradores de vários países presentes ao evento.

Reconhecimento

As portas do mercado europeu se abriram para a goiaba de Carlópolis, fruta que é um dos produtos do município que possuem o registro de Indicação Geográfica (IG). A partir deste mês de março, a goiaba passa a carregar o selo Global G.A.P, uma certificação internacional que reconhece e atesta a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola.

O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, da regional de Jacarezinho, conta que há pelo menos três anos a entidade atende e capacita os produtores com foco na comercialização da fruta para o mercado nacional e internacional. Enquanto o registro da IG foi conquistado pela Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC), o processo de certificação internacional passou pela criação de uma cooperativa e contou com o apoio da Prefeitura de Carlópolis e da Emater.  O produto possui o registro IG, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), desde 2016.

“Tentamos, inicialmente, fazer o processo via APC, mas não foi possível porque não é permitido a associações fazer a comercialização”, explica. Assim, foi necessário formalizar uma cooperativa de pequenos produtores, a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC). O trabalho começou no final de 2017 e, durante o ano passado, o grupo promoveu adequações nas propriedades e no chamado packing house, o barracão utilizado para a segregação, higienização e armazenamento das frutas.

Além de ser uma ferramenta para a abertura de novos mercados, a certificação aumenta a confiança do consumidor na inocuidade dos alimentos, demonstrando o compromisso do produtor com a segurança e sustentabilidade alimentar. A norma aborda, principalmente, pontos de rastreabilidade, técnicas de produção (uso controlado de defensivos químicos), preservação do meio ambiente e recursos naturais, aspectos higiênicos (não contaminação química, física e biológica) e sociais (ambiente de trabalho adequado).

A certificação foi concedida para a COAC e nove propriedades. O produtor certificado e presidente da cooperativa, Noriak Akanatsu, diz que a rastreabilidade oferecida pelo selo internacional contribui para agregar mais valor ao produto. “A exportação é uma maneira de a gente se manter na atividade”, afirma. Hoje, a cooperativa é formada por 23 produtores e a goiaba de Carlópolis chega a pelo menos 12 estados brasileiros. Por enquanto, nove poderão exportar a fruta. E a meta para 2019 é aumentar esse número para pelo menos 15.

O produtor certificado e presidente da APC, Rodrigo da Silva Viana, explica que o selo é coletivo. A auditoria, por amostragem, foi realizada em três propriedades, além do packing house. Viana adianta que o grupo já planeja a primeira exportação. “Estamos definindo a empresa que fará a distribuição do nosso produto na Europa”, afirma. O caminho livre para levar a goiaba de Carlópolis ao exterior deve abrir mais espaço, inclusive, no mercado nacional. “Queremos usar a certificação no mercado interno para nos destacarmos como produtores de uma fruta diferenciada”, pontua.

Viana, que participou de duas missões técnicas para feiras internacionais, uma para a Espanha e outra para a Alemanha, organizadas pelo Sebrae/PR, conta que a goiaba é considerada uma fruta exótica lá fora. “Voltei das feiras entusiasmado para exportar. Fiquei impressionado com o interesse dos compradores no exterior”, relembra. As visitas foram importantes, segundo ele, para apresentar a goiaba de Carlópolis e prospectar contatos. E a expectativa com o selo internacional é expandir a lista de clientes. “A IG já abriu muitos mercados pra gente, praticamente triplicamos nossa lista de compradores”, cita.

O especialista em comércio exterior, Paulo Ricardo Teixeira Peres, diz que a certificação internacional ratifica o trabalho diferenciado feito pelos produtores de Carlópolis. Segundo ele, não existe impedimento para a comercialização sem o selo, porém, o grupo teve o cuidado de obter a qualificação e certificação apropriadas para a goiaba entrar no mercado internacional com preços referenciados pelo mercado. “Já fizemos vários contatos, desde redes de supermercados internacionais, até compradores de pequeno e médio portes”, informa. A próxima etapa, agora, segundo Peres, é adequar a logística operacional. O momento é de transição para a efetivação dos primeiros negócios.

Carlópolis produz goiaba o ano todo graças ao sistema de poda total. O município é o maior produtor da fruta no Paraná e um dos maiores do Brasil. Segundo a Emater, cerca de 390 hectares são usados para o cultivo na área limitada pela indicação de procedência e o potencial de produção é de 23 mil toneladas por ano, em condições de clima normais.

Global G.A.P

O Global G.A.P – Good Agricultural Practices – é um manual de Boas Práticas Agrícolas, que estabelece um conjunto de normas técnicas para diferenciar os produtos e beneficiar produtores e organizações preocupados com o impacto ambiental das atividades. Os princípios da certificação baseiam-se nos conceitos de segurança alimentar; proteção do meio ambiente; condições de saúde, higiene e segurança dos trabalhadores; e bem-estar animal, quando aplicável. O referencial está disponível para três âmbitos de produção: culturas, produção animal e aquacultura. Mais informações podem ser consultadas no site https://www.globalgap.org/.

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