Jacarezinho

Forrest Brasil comprova eficiência contra a dengue

Empresa usou biotecnologia para desenvolver um projeto inédito de controle natural de vetores, em Jacarezinho (PR)

Jacarezinho foi o primeiro no mundo a usar a técnica natural, que não envolve modificação genética, desenvolvida pela Forrest Brasil
Crédito: Rodrigo Felix Leal

Da Redação 


Os mosquitos machos estéreis são produzidos a partir de ovos coletados na região afetada e, posteriormente são soltos na natureza
CRÉDITO: Rodrigo Félix Leal

A solução para combater a dengue, desenvolvida pela Forrest Brasil Tecnologia e aplicada de forma pioneira em alguns bairros de Jacarezinho, teve eficiência comprovada. Nos bairros tratados pelo Projeto piloto Controle Natural de Vetores, foi registrada a redução de 90% na infestação do mosquito Aedes aegypti. 

De setembro de 2018 a abril de 2019, a Forrest Brasil tratou os três bairros que tinham situação mais crítica no município: Aeroporto, Novo Aeroporto e Vila Leão. Ao final do projeto piloto, após sete meses de solturas de mosquitos machos estéreis, o resultado foi a redução de mais de 90% na população de Aedes aegypti na área tratada, sendo que o Levantamento Rápido de Índices de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) chegou a registrar índice zero de infestação do mosquito nos Bairros Novo Aeroporto e Aeroporto. O Projeto foi finalizado com o registro de apenas 16 casos de dengue na região do Aeroporto enquanto a Vila São Pedro apresentou 198 casos, sendo o bairro mais crítico da cidade em números de casos da doença. Em setembro de 2019, a Vila São Pedro recebeu o projeto Controle Natural de Vetores da Forrest Brasil. Desde então vem sendo realizadas solturas semanais nesta região da cidade. Jacarezinho vive novamente uma nova epidemia de dengue e até o momento temos o registro de apenas dois casos de dengue na Vila São Pedro, enquanto o Aeroporto concentra o maior número de casos da cidade, sendo 358 registros até o momento, mais de 70% do total de casos. “Hoje há uma inversão, com novos registros de dengue no Aeroporto e grande redução de infestação do mosquito na Vila São Pedro, o que demonstra a importância da continuidade do trabalho”, revela a diretora da Forrest Brasil Tecnologia, Elaine Cristina dos Santos Paldi.  

A atuação da Forrest em Jacarezinho é considerada um caso de sucesso e os resultados já foram apresentados para outras cidades do Brasil. “Os dados comprovam que a tecnologia, aliada ao trabalho de educação e conscientização da população, contribui para a redução significativa dos índices de infestação do Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus da dengue, logo, reduzimos drasticamente os casos desta doença na área onde atuamos. Para garantir a sustentabilidade do projeto, é necessário mais um ano de trabalho, especialmente para reduzir os ovos remanescentes. Com a continuidade do projeto e o apoio da população e do poder público, podemos conquistar uma solução sustentável para combater a dengue e outras doenças relacionadas a esse mosquito”, explica a coordenadora do projeto, Lisiane de Castro Poncio.

A partir de janeiro deste ano, a Forrest conseguiu uma autorização para ampliar o projeto para toda a cidade de Jacarezinho. “Aguardamos meses por isso, pois queríamos ter ampliado o projeto antes do verão, que é a alta temporada do mosquito. Desde o dia 10 de janeiro, voltamos a atuar no município e agora estamos trabalhando de forma intensiva em todos os bairros de Jacarezinho”, diz a diretora.

No entanto, essa autorização assinada pela Prefeitura Municipal tem validade de apenas três meses. “Sabemos que o ideal seria a continuidade desse trabalho por pelo menos um ano. Os ovos do Aedes aegypti permanecem viáveis por mais de um ano, por isso é importante combater a dengue o ano todo e não apenas no verão”, explica Elaine.

A técnica

O município de Jacarezinho foi o primeiro no mundo a usar a técnica natural, que não envolve modificação genética, desenvolvida pela Forrest Brasil. Os mosquitos machos estéreis são produzidos a partir de ovos coletados na região afetada e, posteriormente são soltos na natureza, contribuindo para a redução de novos descendentes, diminuindo assim a proliferação desses mosquitos. O mosquito macho se alimenta apenas de seiva de plantas e, portanto, não pica e não oferece nenhum risco para a população. São as fêmeas que transmitem as doenças, pois precisam do sangue para completar o processo de maturação dos ovos e fazer a postura. Como a fêmea copula uma única vez durante a vida, se a cópula for com um macho estéril então não haverá descendentes. Já se a cópula acontecer com um macho não estéril, uma fêmea pode gerar até 500 ovos, que vão resultar em novos mosquitos.

Estado apresenta panorama de ações para o Ministério da Saúde

O governador Carlos Massa Ratinho Júnior e o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, estiveram com o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, nesta quarta-feira (12). Além de apresentar um panorama das ações do Paraná no combate à dengue, que hoje é uma das principais atenções do Governo, as estratégias de enfrentamento para possíveis casos do novo coronavírus, com a estrutura de atendimento envolvendo 60 hospitais pelo Estado, também foram discutidas.
Cumprindo extensa agenda em Brasília, em diversos ministérios, o governador destacou a importância de dialogar sobre as questões de saúde num momento de alerta mundial. “Foi um encontro muito produtivo com o ministro Mandetta. Trouxemos informações de como o Paraná está estruturado para possíveis intercorrências e prestar o atendimento, se necessário. Mas lembramos que não existe nenhum caso confirmado no Brasil”, disse Ratinho Júnior.
O Paraná foi um dos primeiros estados brasileiro a anunciar um plano de ação e monitoramento integrado do novo coronavírus. Além de assegurar uma estrutura hospitalar robusta, também de imediato foi instituído o Centro de Operações em Emergências (COE) e a elaborar um Plano de Contingência para coordenar e orientar os procedimentos aos profissionais de saúde e à população.
Outras demandas do Estado, como a parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI) para o fortalecimento de novas parcerias na área de saúde, além do problema do alto custo da judicialização de medicamentos e de atendimento hospitalar especializado.
“A saúde capilariza vários temas e colocamos nesta reunião as diversas questões relativas ao nosso Estado, especialmente sobre a preocupação com a dengue, que vem crescendo de forma muito elevada. Trouxemos também algumas demandas ao Ministério da Saúde, além de alinharmos algumas ações no caso do novo coronavírus. Foi um encontro muito produtivo para o Paraná”, afirmou Beto Preto.
Estiveram presentes ainda o chefe do Escritório de Representação do Paraná em Brasília, Rubens Bueno II, o deputado federal Pedro Lupion, o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, e a coordenadora-geral em Saúde do MS, Mirna Poliana Furtado de Oliveira.

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