Santo Antônio da Platina

Fim de plano de saúde corporativo revolta servidores em Santo Antônio da Platina

Prefeitura alega que reajustes são inviáveis e nega falta de explicações; operadora não quis se pronunciar 

CRÉDITO: Divulgação

Da Redação


Servidores da Prefeitura de Santo Antônio da Platina alegam que foram pegos de surpresa com a rescisão contratual entre o Executivo e a Unimed, operadora que até então administrava o plano de saúde corporativo do poder público. A situação gerou bastante incômodo entre os servidores, que reclamam de diversos problemas em razão da medida, que, segundo eles, foi tomada sem nenhum aviso prévio ou explicação por parte da prefeitura. 

De acordo com relatos de diferentes servidores que procuraram a reportagem da Tribuna do Vale para expor o caso, a situação gerou preocupação e revolta entre os funcionários, já que muitos deles são dependentes do plano de saúde para tratamento médico. Com o fim do convênio, terão que optar por voltar a seus planos individuais em outras operadoras, porém, enfrentando o período de carência e perdendo possíveis descontos. 

“Acho isso um absurdo! Honestamente, me senti um palhaço! Eu tinha um convênio há vários anos e migrei para o plano corporativo. Agora acaba assim sem mais nem menos. Agora para voltar para o antigo plano (de outra operadora) terei que enfrentar o período de carência, ou devo continuar com a Unimed. Simplesmente eles não conversam com os servidores, impõe e comunicam depois do ocorrido”, lamenta um dos servidores que pediu para não ter o nome revelado por medo de represálias. 

“A revolta é geral. Não sabemos de nada, apenas que acabou. A prefeitura não explica, e a Unimed também não. Para eu continuar na Unimed a mensalidade vai dobrar. Tem caso de mulheres gestantes, pessoas doentes, todo mundo ficando na mão e sem satisfação. Se sabiam que não ia dar certo, por que não planejaram isso antes? A sensação que fica é que ninguém liga para os servidores. Eram quase 300 pessoas envolvidas que estão se sentindo totalmente lesadas. Ou será que já fizeram isso para nos prender ao plano e depois nos obrigar a continuar pagando mais pela mensalidade?”, questiona outro servidor. 

Os planos de saúde, no modo corporativo, custavam em média entre R$ 250 e R$ 350 por pessoa. Dependendo da idade e da condição de saúde, um plano individual pode custar até o dobro desse valor. 

Ainda existem casos de pessoas com exames e até cirurgias já agendadas através do plano com a Unimed. A princípio esses tratamentos não seriam mais realizados pelo convênio, mesmo tendo sido marcados durante o período vigente do contrato, obrigando servidores e familiares nessas situações a abandonarem tratamentos ou pagar integralmente pelas intervenções médicas. 

A Unimed Norte Pioneiro foi procurada pela reportagem, porém não quis se pronunciar oficialmente alegando que a rescisão contatual ocorreu por parte da prefeitura.

Outro lado

De acordo com o diretor de Gestão de Santo Antônio da Platina, Joubert Alves Brito, as reclamações não procedem e o plano foi cancelado justamente por se tornar inviável financeiramente para os servidores, pelo fato de um grupo teoricamente pequeno de pessoas ter aderido à proposta da Unimed, que, segundo ele, vai garantir a carência aos usuários que migrarem para os planos individuais da operadora.  

“Era um plano de coparticipação com 125 servidores e outros 97 dependentes. A Unimed nos procurou ao fim do primeiro ano e relatou um prejuízo de R$ 58 mil, porque eram poucas pessoas fazendo uso de muitos serviços do convênio. No segundo ano esse prejuízo foi de R$ 149 mil pelo mesmo motivo. O reajuste seria de um valor inviável a ser descontado dos servidores então não havia como continuar”, explica Brito. 

Ainda segundo o diretor, o plano não tinha nenhum tipo de aporte financeiro do município, sendo integralmente pago pelos servidores e seus dependentes. Brito garante que todos os servidores vão poder migrar sem período de carência para planos individuais da operadora e que eles receberam todas as explicações e orientações pertinentes ao assunto. 

“Inicialmente os valores de um plano individual vão ficar mais altos mesmo, mas em um plano corporativo os reajustes não são limitados por lei, como em um plano individual. Então com o passar do tempo essa diferença que existe agora será diluída pelos reajustes que haveria no plano corporativo. Mas isso foi explicado abertamente”, garante o diretor de Gestão.  

No primeiro ano a Unimed recebeu do plano corporativo dos servidores de Santo Antônio da Platina o valor total de R$ 344 mil. Ao fim do segundo ano o valor foi de R$ 529 mil. Ainda assim um novo reajuste de possivelmente mais de 30% no valor das mensalidades seria cobrado pela operadora.

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