Santo Antônio da Platina

Falta de estrutura compromete investigações da Polícia Civil

Casos de homicídio em Santo Antônio da Platina podem levar até cinco anos para serem concluídos

Confronto balístico em armas possivelmente usadas em homicídios pode levar até cinco anos
CRÉDITO: Arquivo/Polícia Civil

Luiz Guilherme Bannwart 


A falta de efetivo nos organismos de segurança pública do Paraná pode comprometer os trabalhos de investigação da Polícia Civil para esclarecer, principalmente, crimes de homicídio em todo o Estado. Em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), por exemplo, a conclusão de inquéritos que apuram a autoria de assassinatos pode levar até cinco anos. 

Somente nos últimos seis meses, quatro pessoas foram mortas a tiros no município. A série de homicídios começou em setembro, com a morte de Carlos Alberto Padilha da Silva, o Cacá. No dia 25 de dezembro, Diego Henrique da Silva foi morto na Vila Ribeiro. A terceira vítima foi Jefferson Aparecido da Silva, 31, conhecido por ‘Ferro Velho’, executado no dia 7 de janeiro na zona rural do município. No dia 15 de janeiro, Junior Alves de Oliveira Cubas, 23 anos, foragido da cadeia local, foi morto na Vila Santa Terezinha. 

Dias após o último assassinado, uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar resultou na prisão de um grupo suspeito de ordenar e assassinar ao menos três pessoas na cidade. Segundo as investigações, a motivação para os crimes seria a disputa pelo controle do tráfico de drogas na cidade.

Além das prisões, também houve apreensão de drogas, dinheiro e armas de fogo, que, segundo a polícia, podem ser as mesmas usadas nas execuções das vítimas. 

As armas apreendidas foram encaminhadas para perícia, mas segundo a Polícia Científica do Paraná, a conclusão dos trabalhos pode levar até cinco anos.

Conforme apurou a reportagem, no dia 7 de fevereiro o Instituto de Criminalística, em comunicado aos delegados de Polícia Civil do Paraná, informou que todos os exames balísticos do Estado foram concentrados na Capital, e que, em consequência da falta de efetivo no quadro de peritos e do setor administrativo do órgão, o prazo médio para a realização de exame de Confronto Balístico é de cinco anos.

Procurado pela reportagem, o delegado Rafael Guimarães, titular da 38ª Delegacia Regional de Polícia, confirmou as informações salientando sobre a dificuldade dos trabalhos de investigação em razão do baixo efetivo na Polícia Civil e morosidade na conclusão das perícias criminais. “Importante frisar que a Polícia Cientifica é um órgão independente da Polícia Civil, que igualmente enfrenta sérios problemas com a falta de efetivo. Apesar de realizar um excelente trabalho para o esclarecimento dos crimes, mesmo com o quadro de servidores reduzido, o órgão também sofre com suas limitações”, pondera.

Contratações 

Na manhã desta terça-feira (3), o Governo do Estado dará início ao processo para contratação de 2.400 policiais militares. O governador Carlos Massa Ratinho Junior firmará contrato com a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) para a realização do concurso público que selecionará os profissionais. Além disso, o Estado vai selecionar 50 delegados, 300 investigadores e 50 papiloscopistas para a Polícia Civil. Também foram abertas 238 vagas para agentes de cadeia para complementar o quadro do Departamento Penitenciário (Depen). Não há, porém, informações sobre contratações para o Instituto de Criminalística.

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