Ribeirão Claro

Falta de água em Ribeirão Claro revolta moradores

Pelo menos uma vez na semana cerca de seis bairros sofrem com o desabastecimento de água

Da Redação


Ribeirão Claro vive um dos piores momentos de sua história. Apesar de margeada por riquezas naturais, com águas cristalinas, ser polo turístico do Norte Pioneiro e fazer parte do Santuário Angra Doce, falta água para a população. A Tribuna do Vale recebeu um acervo de fotos e vídeos de moradores e também de um vereador revoltados com a situação crítica de desabastecimento nas últimas semanas.

E como se não bastasse a crise hídrica, quando retoma o fornecimento, a água vem suja, ficando imprópria para o consumo. Os bairros mais afetados com problemas hídricos são área central, Bela Vista, Residencial Chammas, Vila Rural e nos outros ramais Luiz Carlos Paraná e Monte Claro.


Água com coloração escura vem imprópria para o consumo
Créditos: Arquivo

Mas a falta de água em Ribeirão Claro não é um problema de hoje. Na gestão passada, foi providenciada a perfuração de um poço com capacidade de 50m³/h para auxiliar no abastecimento da cidade. Uma espécie de emergência caso a central de captação tivesse algum problema. Foram investidos cerca de R$ 450 mil em parceria com a CPFL Santa Cruz.

Mas segundo o vereador Vanderlei Carvalho (PSB), o problema foi que, esse poço emergencial, teve um problema na bomba, e até o momento não foi retirada para reparos. “Enviei um ofício para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) cobrando essa manutenção do poço. Em julho recebi a resposta do diretor do SAAE, onde disse que ia entrar em contato com uma empresa para realizar a sondagem e ver o que poderia ser feito para uma possível solução. Ele ainda justificou no documento que o município não estava sendo prejudicado com falta de água, nem em quantidade, nem em qualidade. Porque os mananciais de abastecimento oferecem condições excepcionais”, conta.


Moradores sentem descaso com a crise hídrica
Créditos: Arquivo

Porém, quatro meses após a declaração do diretor via ofício, Ribeirão Claro apresenta expressiva crise hídrica, tanto em quantidade, quanto em qualidade. “Vivemos semanalmente o problema agora. Ribeirão Claro não precisa passar por isso, somos contemplados pela natureza, margeados de água e com água de qualidade. Quando a água volta para nossa residência, volta suja, não há condições de consumo, principalmente para alimentos e lavar roupas”, desaprova.

E em plena crise hídrica e de racionamento, as moradias afetadas precisam esvaziar a caixa d’água com água suja, aumentando ainda mais os seus custos. “Será que vamos ter desconto nessa água suja que está sendo fornecida e descartada? ”, questionou. 


Moradores estão lavando roupas com água suja para evitar o desperdício
Créditos: Arquivo

Vanderlei detalha que o SAAE agora quer fazer campanha para população comprar caixa d’água. O vereador discorda, porque muitos moradores não têm espaço para instalação dessa caixa d’água e boa parte também não tem dinheiro para custear isso. Uma caixa d’água de 500 litros custa aproximadamente R$ 200, correspondente a aproximadamente ¼ do salário mínimo em vigor. Estamos cobrando constantemente na Câmara em plenário, mas solução que é bom nada. A população que sofre. Ainda não estamos em alto verão, estamos fora da temporada e a nossa preocupação é que isso afete o turismo. Se o problema não for resolvido com o máximo de urgência, vou fazer uma representação junto ao Ministério Público porque a situação não pode permanecer da forma que está”, anuncia vereador.

SAAE – O diretor do SAAE, Antônio Carlos Chiarotti, mais conhecido como Cacaio, em sessão ordinária no plenário, realizada em 28 de setembro disse que “Ribeirão Claro tem praticamente 30% das casas sem caixa d’água. E quem reclama geralmente são pessoas que não tem”, disse em um trecho da sessão.

Em outro momento, isentou o SAAE da responsabilidade do fornecimento da água. “As empresas de saneamento não têm que entregar 24 horas de água na rede durante 1 dias, 7 dias na semana, 30 dias no mês, 12 meses no ano. Não existe isso em lugar nenhum no mundo. Por isso que se pede para colocar a caixa d’água. Então esse tipo de situação existe aqui e em outras cidades. Estamos montando um plano de divulgação para que as pessoas coloquem caixa d’água em suas casas”, pontua.

Cacaio, sinaliza também a obrigatoriedade do uso de caixas d’água. “Alguns municípios tornam obrigatória a caixa d’água nas residências, através de um decreto aprovado na Câmara, que obriga a cumprir as determinações da norma ou recomendação. E a partir disso, as pessoas são obrigadas a fazer a aquisição. Portanto, essa é a colaboração que a população pode fazer”

Mas em outro trecho, o diretor critica as residências que dispõem de caixas d’água de 5 mil litros no bairro Sombreiro. “Prejudica os demais moradores do bairro. E o SAAE não tem nada a ver com isso. O que nós podemos fazer é conscientização”.

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