Santo Antônio da Platina

Ex-diretor poderia ter evitado bloqueio de UTI

Alfredo Ayub protelou entrada em operação de unidade, cujo funcionamento foi bloqueado pela Justiça

Da Redação


Se a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Norte Pioneiro (HRNP) tivesse sido colocada em operação logo pós a assinatura do contrato com a empresa vencedora da licitação realizada no segundo semestre de 2018, pela FUNEAS –  Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná, gestora da instituição, a região poderia estar utilizando esta UTI, ao contrário do que ocorre, com a unidade fechada, sem previsão de solução.

A denúncia partiu de um funcionário do HRNP e confirmada pelo médico Diego Ralph Burani, que na ocasião era o diretor técnico do hospital. A vencedora da licitação, Pró-vida União de Serviços Médicos Ltda, que tem como diretor o médico Anderson Hinterlang, assinou contrato com a FUNEAS no dia 22 de novembro de 2018, estando apta a iniciar imediatamente o atendimento a pacientes graves que necessitassem de UTI.

Segundo Diego Burani, todos os trâmites legais estavam conclusos, os equipamentos ajustados e as equipes treinadas para operar a UTI que possui 10 leitos. Inexplicavelmente, todavia, o então diretor geral do HRNP Alfredo Ayub não iniciou as atividades da unidade de emergência, o que acabou impossibilitado por conta de uma liminar judicial obtida por uma das empresas perdedoras.

“Não há qualquer justificativa plausível para a UTI permanecer fechada quando tudo estava pronto. Se o hospital tivesse colocado a unidade em funcionamento, teríamos pacientes internados e, mesmo que a justiça interferisse, não haveria seu fechamento”, assinala o médico, inconformado coma situação atual de uma UTI fechada enquanto a região exporta pacientes para outros hospitais.

A Tribuna do Vale tem acompanhado o drama de familiares de pacientes graves, que necessitam de UTI, mas que são transferidos para hospitais de outras regiões. Vários casos de mortes de pacientes que poderiam ter sido salvos caso fossem levados a um hospital local. A única UTI em funcionamento no Norte Pioneiro, com abrangência em 22 municípios e uma população superior a 250 mil habitantes é a da Santa Casa de Jacarezinho, com 10 leitos, incapaz de suprir a demanda regional.

Sem alternativa, os hospitais da região são obrigados a transferir seus pacientes para Londrina e Curitiba, em muitos casos, inviabilizando a cura de doentes graves que acabam morrendo no trajeto.

O secretário de Saúde do Paraná, o médico Beto Preto, ficou chocado com a informação e pediu ao setor jurídico da FUNEAS que intensificasse contato junto ao Poder Judiciário numa tentativa de saída negociada para colocar a UTI do Hospital Regional em funcionamento.

Outro lado

O ex-diretor do Hospital Regional, Alfredo Ayub, que é funcionário de carreira da Secretaria Estadual de Saúde, negou que tenha havido qualquer intenção de retardar o funcionamento da UTI. Ele confirma que a assinatura do contrato se deu no dia 22 de novembro do ano passado e que a abertura da unidade se daria no dia 14 de dezembro. Porém, no dia da inauguração, uma das empresas perdedoras obteve uma liminar judicial na comarca de Curitiba, pegando todos de surpresa.

“Não tivemos qualquer interferência no processo de licitação, que foi conduzido pela equipe da FUNEAS de Curitiba. Quem marcou a inauguração para o dia 14 de dezembro foi o então presidente Domingos Trindade de Melo Guerra, que estava em Santo Antônio da Platina para a solenidade, ato que foi abortado pela liminar judicial”, explica.

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