Jacarezinho

Empresa culpa prefeitura por epidemia

Segundo a Forrest Brasil, controle biológico do mosquito em toda a cidade poderia ter começado em outubro do ano passado

Diretores da Forrest Brasil concederam entrevista coletiva ontem em sua sede para denunciar a omissão da Prefeitura de Jacarezinho
CRÉDITO: ANTÔNIO DE PICOLLI

Da Redação – Benedito Francisquini 


A epidemia de dengue que assola Jacarezinho, que registra quase 400 casos da doença no último levantamento apresentado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), é culpa da administração municipal de Jacarezinho, que, de forma irresponsável, retardou por quase cinco meses a autorização para que a Forrest Brasil Biotecnologia iniciasse a soltura de mosquitos machos estéreis em todo o perímetro urbano do município. 

A informação foi passada na manhã de ontem (5), durante entrevista coletiva de imprensa realizada pela diretora da Forrest, Elaine Paldi, que convocou a imprensa regional visando esclarecer a onda de boatos envolvendo a multinacional de biotecnologia responsável por uma experiência piloto em Jacarezinho de controle natural do Aedes aegypt, mosquito causador da dengue, entre outras doenças.

“Procuramos a Secretaria de Saúde de Jacarezinho em outubro de 2019, solicitando autorização para expandirmos para todos os bairros da cidade a experiência de sucesso que havíamos realizado no Bairro Aeroporto. No entanto, sem qualquer explicação lógica, já que o trabalho não teria custos para a prefeitura, levaram cerca de cinco meses para autorizar a operação”, desabafou a diretora. 

Por conta desta “irresponsabilidade”, Jacarezinho vivencia níveis incontroláveis de casos de dengue, denuncia Elaine Paldi. Ela assinala que o único bairro, a Vila São Pedro, onde o uso da tecnologia da Forrest está sendo realizado há mais tempo, apenas dois casos da doença foram registrados e, ainda, envolvendo pessoas com histórico de terem sido contaminados, já que trabalham no centro da cidade.

Controle químico

Diante da situação de infestação descontrolada, a prefeitura anuncia o uso do tradicional fumacê, que consiste no controle químico dos insetos, contrariando a tecnologia preconizada pela Forrest que utiliza vetores estéreis que, no cruzamento com as fêmeas, não geram mosquitos descendentes, reduzindo desta forma os níveis e infestação.

Apesar disso, no final da tarde desta quarta-feira a diretora da Forrest anunciou que a empresa vai continuar aplicando a tecnologia, explicando que o efeito do inseticida dura menos de uma hora e a aplicação do método natural vai ser fundamentar para baixar as populações dos mosquitos.

Números da infestação

O Bairro Aeroporto, palco da primeira experiência, registrou apenas oito casos de contaminação em 2019. Neste ano, onde o experimento não ocorreu, já são 152 casos de registro da doença.

Já na Vila São Pedro, que não beneficiada no início da experiência houve o registro de 309 casos confirmados em 2019. Até agora, com tratamento biológico, apenas dois casos oficiais.  

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