Santo Antônio da Platina

Emater tem 30% da frota parada em oficinas

Situação também afeta outros órgãos públicos na região após escândalo com prestadora de serviços para o Estado 

Oficina que presta serviços para a Emater em Wenceslau Braz disse que não há previsão para a manutenção da frota
CRÉDITO: Divulgação

Da Redação


Dos 65 veículos que a Emater destina a seus técnicos no Norte Pioneiro, 20 estão parados em diferentes oficinas da região aguardando o governo do Estado autorizar os serviços necessários para que os carros voltem a circular. O reflexo disso é a necessidade de um “malabarismo” por parte dos profissionais da entidade, que desenvolvem serviços fundamentais de apoio técnico aos agricultores. 

Em se tratando de uma região com a economia majoritariamente centrada na agricultura, um de seus principais alicerces, a falta de atenção ao órgão pode prejudicar parcela significativa da sociedade. Para que isso não ocorra, os dirigentes da Emater garantem que buscam alternativas para que a falta dos veículos não prejudique os produtores rurais. 

“A falta de veículos afeta muito nosso trabalho. O que a gente tem feito é administrar para que a sociedade e nossos clientes, que são os agricultores, não sintam tanto esse efeito, mas chegamos a um ponto crítico”, reclama o gerente regional da Emater, Maurício Castro Alves. 

“Temos priorizado trabalhos em grupo e realizado muitos atendimentos pelo whatsapp, que hoje é uma ferramenta bem útil. Mas a questão dos veículos é difícil. Estamos com 45 carros para atender 23 municípios. Onde, por exemplo, tem três técnicos, deixamos dois carros. E aí eles alternam, usando um de manhã e outro à tarde e assim vamos tocando”, observa o gerente. 

Segundo Maurício, o problema de manutenção dos veículos é o resultado da falta de pagamento às oficinas, que deixou de ser feita pela Emater, passando para uma empresa, a JMK, que passou a ser responsável pela manutenção da frota de 52 órgãos públicos do Paraná. A situação se agravou após os donos da empresa e alguns de sues funcionários serem presos em maio durante uma operação que investiga suposta fraude milionária na prestação deste serviço. 

“Antes dessa mudança não havia problema. Quando foi implantado esse sistema, que seria para gerar mais economia começamos a ter veículos indo para a oficina e não retornando. Hoje tenho sete carros em uma oficina em Wenceslau Braz e não tenho previsão de quando eles vão ficar prontos, assim como os que estão em outras oficinas”, reclama Castro Alves. 

O gerente sugere mudanças na forma de gestão da frota dos carros de órgãos públicos. “O problema começa quando não temos manutenção preventiva. O provável é que a locação de veículos, com manutenção feita pela empresa que prestaria esse serviço, fosse a solução mais econômica e funcional. Do jeito que ficou está complicado”, observa. 

A reportagem da Tribuna do Vale entrou em contato com a oficina de Wenceslau Braz citada por Maurício e a informação é que de fato os carros de Emater estão lá, mas seriam os únicos entre os veículos do Estado a não ter ordem de serviço para realizar os consertos necessários, não havendo, portanto, previsão de solução para o problema. 

Ainda de acordo com a gerência da oficina, os atrasos nos reparos começaram quando houve a prisão dos donos da JMK e o consequente fim da prestação dos serviços pela empresa, mas que o Estado realizou novo credenciamento e a situação deve ser normalizada nos próximos meses. 

JMK

Os proprietários e alguns funcionários da empresa JMK foram presos durante a operação Peça Chave, deflagrada pela Polícia Civil em maio e que apurava um sistema de falsificação e adulteração de orçamentos das oficinas mecânicas ao Estado, provocando superfaturamento dos valores. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 125 milhões desde o início do contrato. 

PREJUÍZO

Sob condição de sigilo, o proprietário de uma oficina mecânica da região que prestava serviços à JMK revela um prejuízo de mais de R$ 20 mil. “Estava com cerca de seis meses atrasados quando resolvi parar de prestar serviço para a JMK. Um pouco antes do pessoal ser preso ainda mantive contato tentando receber a dívida, mas depois não tive mais notícia. Até onde eu sei são várias oficinas que também prestavam serviços e tiveram muitos prejuízos”.

OUTROS ÓRGÃOS

A Tribuna do Vale constatou com outros órgãos do Estado que atuam na região não enfrentam os mesmos problemas da Emater. O Corpo de Bombeiros revelou que tem feito o serviço de manutenção da frota direto pelo Estado e que não há maiores problemas. A 19ª Regional de Saúde também informou não possuir veículos parados em oficinas. 

Já o 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) admite que existe dificuldade neste ponto, mas que uma nova oficina credenciada está trabalhando para consertar as viaturas paradas e que a estimativa é de normalizar a situação em breve. Não houve informação de quantas são as viaturas paradas por problemas mecânicos, mas existe a garantia de que os trabalhos de ronda estão sendo realizados normalmente.  

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