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Ecologia, essa vítima da ideologia

De: Dirceu Cardoso Gonçalves


 De repente, o mundo se volta para denunciar “a maior queimada na Amazônia”. Chefes de Estado de países que no passado devastaram seus territórios, hoje travestidos de defensores ambientais, exigem providências brasileiras e devem agitar o assunto na assembléia da ONU (Organização das Nações Unidas).

Do jeito que falam, parece ignorarem que os vizinhos Bolívia e Paraguai também sofrem com grandes incêndios florestais e que o fogo é presença anual no que restou da vegetação européia, na Califórnia e em diferentes partes do mundo.

O comportamento, especialmente dos governantes, como a alemã Angela Merkel e o francês Emmanuel Macron – que tentaram abordar Jair Bolsonaro na reunião do G-20 e foram confrontados pelo brasileiro – dá mostras do já conhecido olho gordo que esses e outros países mantêm sobre a nossa floresta que, com grande desfaçatez, os devastadores de outrora sonham internacionalizar.

Pior é que existem brasileiros que atuam na mesma linha. O polêmico dr. Enéias Carneiro, deputado e candidato à presidência dos anos 80, já dizia que os ditos defensores da Amazônia não querem a floresta, mas as riquezas que estão debaixo dela.

Realmente existem problemas que precisam ser controlados tanto na Amazônia quanto em qualquer área natural ao redor do planeta. Mas, desgraçadamente, a questão ambiental tem sido tratada com viés ideológico pelos temerários e incompetentes governos.

Pior que isso, é a ingerência de ONGs (Organizações não Governamentais), muitas delas também à serviço da ideologia e de grupos políticos e econômicos ou, ainda, sob suspeita de corrupção. A proteção ambiental é muito maior do que a vã filosofia de esquerda ou de direita, que tantos desencontros tem produzido mundo afora.

A cada árvore, solo, nascente ou curso d’água que perece, são impactados em maior ou menor proporção todos os indivíduos, independente de sua ideologia, raça, cor ou religião. Isso sem falar dos animais, igualmente ou até mais prejudicados, e da própria degradação do conjunto, já que um elemento fora do lugar compromete os demais pertencentes à mesma cadeia de relacionamento.

É preciso acabar com a antiga e nefasta prática de politizar as coisas. Proteger e preservar o ambiente é interesse de todos e não apenas de uma ou outra tendência ideológica ou política.

Também não pode ser objeto da cobiça e do lucro fácil. Os governos têm a obrigação de desenvolver ações que protejam os biomas de forma a entregá-los aos seus sucessores em condições melhores ou pelo menos iguais às que receberam. É isso que vai garantir a vida das futuras gerações.

Quanto à Amazônia, é preciso vigilância e providências. Impedir o fogo, seja ele natural, criminoso ou, ainda, ideológico. O fogo natural tem ser de ser contido, enquanto o criminoso e o ideológico, em existindo, precisam além de eliminados ter seus autores identificados e responsabilizados de acordo com a legislação ambiental vigente.

Quem quiser atuar na área, deve fazê-lo pela ecologia, jamais pelo lucro fácil ou em busca de resultado político. E, em relação ao olho gordo internacional sobre a nossa floresta, que se cuide da soberania sobre o território e, nos devidos foros, rechace os oportunistas.

Que tais figuras, inclusive os  governantes, usem suas forças para resolver os problemas de seus países – que não são poucos – e deixem nós, os brasileiros, de cuidarmos dos nossos…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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