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Depois da Coca-Cola, tecnologia e Caixa, casas de apostas serão maioria nos uniformes dos clubes

Palmeiras levantou a taça em 2016 muito graças à parceria com a Crefisa – Fonte: Wikimedia

Assessoria

Se a Lei do Jogo promulgada pelo Presidente Dutra nos anos 1940 foi bastante restritiva, isso mudou com a nova legislação. A lei 13.756/18 abrirá as portas para empresas de jogo terem maior segurança jurídica, inclusive para expandir operações e fazer campanhas de publicidade.

Diversas empresas já aproveitavam essa abertura. A mais recente será a gigante Pokerstars, que deve fechar parceria com o Corinthians para aparecer no uniforme do clube. A empresa já observa o mercado brasileiro há tempos, inclusive destacando um PokerStars casino bônus para clientes que abrem conta no país e patrocinando atletas como Ronaldo e Neymar.

Essa nova possibilidade é ótima para os clubes porque cada vez mais tornou-se difícil conseguir patrocinadores de peso nos uniformes. Ter casas de apostas, cuja atuação é totalmente ligada ao que acontece nos campos, faz sentido.

O já citado Corinthians, aliás, promoveu uma verdadeira revolução nesse campo. Mas antes, vamos do começo.

História dos patrocínios na camisa

O Brasil foi rápido em adotar as marcas nos uniformes dos clubes. Logo que a ideia foi iniciada com força nas principais ligas e clubes do mundo, o Brasil seguiu na mesma linha. Afinal, recusar dinheiro nunca é uma boa ideia para um clube de futebol e as empresas têm uma exposição de marca gigante. Junta-se a fome com a vontade de comer.

Um marco nessa história foi a Copa União de 1987. Depois da CBF retirar-se da organização do Campeonato Brasileiro, os clubes se organizaram e conseguiram três grandes patrocinadores. A Globo transmitiu a competição, a Varig cedeu as passagens aéreas e a Coca-Cola patrocinou os uniformes das 16 equipes.

Isso hoje parece completamente louco, ainda mais com a constante luta que os clubes promovem entre eles. O que é, obviamente um erro: por exemplo, a NBA e a NFL, respectivamente as ligas de basquete e futebol americano dos Estados Unidos, negociam em conjunto os contratos de direitos televisivos e material esportivo, conseguindo acordos de valores absurdos.

Com cada um indo para um lado após mais uma briga ter minado a continuação da liga no Brasil, alguns patrocínios históricos foram fechados. A Parmalat se destacou ao fazer uma parceria com o Palmeiras, entre 1992 e 2000. Além de estampar sua marca no uniforme, a multinacional ajudava a gerir o clube e contratava atletas de peso.

Com a chegada dos anos 2000 as empresas de tecnologia tomaram conta do mercado. A Samsung patrocinou o Corinthians, a Semp-Toshiba o Santos, o São Paulo teve a LG em seus áureos anos 2000. O Athletico fez história, construindo a Arena da Baixada e logo acertando os naming rights com a empresa japonesa Kyocera.

No futebol carioca o modelo era diferente. O Flamengo por décadas teve a Petrobras como parceira, enquanto o Fluminense teve a Unimed como sua versão da Parmalat. O Tricolor teve imenso sucesso com essa união, com a empresa de saúde contratando e pagando salários de diversos jogadores nas conquistas cariocas e do Brasileirão (duas vezes).

O Corinthians resolveu fazer o caminho contrário. Se o Fluminense permitiu maior poder para um parceiro para ter melhores jogadores, o Corinthians para pagar um atleta, abriu seu uniforme. Ronaldo Fenômeno elevou a exposição do Timão e ganhou comissões sobre os vários patrocínios que lotaram a camisa do clube em 2009 e 2010.

Entretanto todas essas transições não passaram de “fases”. Na década de 2010, os clubes estavam expostos e quem veio ao resgate foi a Caixa. O banco público patrocinou 35 clubes na década, como Flamengo, Corinthians, Santos e muitas outras equipes. Os valores ultrapassaram 700 milhões de reais.

A mudança de estratégia da Caixa gerou um rombo nas equipes e as empresas hoje interessadas não são capazes de oferecer os números que os clubes desejam. Patrocínios temporários e em outras partes do uniforme – ombros, calções, meiões e até no meio do número – começaram a aparecer. O time com maior sucesso é o Palmeiras, que ganhou a Crefisa como parceria em patrocínios multimilionários. A dona da Crefisa, Leila Pereira, tornou-se conselheira do clube e não esconde que quer a Presidência.

Mas tirando esse caso único, os clubes precisam de novos parceiros. E as casas de apostas surgem nesse cenário. A Casa de Apostas patrocina Bahia, Santos, Botafogo, entre outros. A Sportsbet.io estava com o Flamengo nas suas conquistas históricas. A 188Bet com o Atlético-MG. E agora o Corinthians com a Pokerstars. Essa é uma tendência que tem potencial para ficar.

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