Destaque

Delegado esclarece caso envolvendo ameaça contra colégio Ruth Martinez

Tristão de Carvalho diz que houve atos de vandalismo e que ameaças de atendado estão descartadas

Delegado Tristão Antônio Borborema de Carvalho FOTO: Antônio de Picolli/Arquivo

Da Redação com Assessoria

O delegado de Ribeirão do Pinhal, Tristão Antônio Borborema de Carvalho, se manifestou, nesta sexta-feira (12), sobre os atos de vandalismo e suposta ameaça de atentado envolvendo o Colégio Ruth Martinez Correa, desta cidade, que deixaram a comunidade local em pânico e os moradores do Norte Pioneiro apreensivos.

O que houve no Colégio Ruth Martinez Correa, em Ribeirão do Pinhal, que provocou pânico na cidade e região?

Atos de vandalismo. A escola foi invadida durante período noturno, e uma sala foi depredada. Houve inscrições de símbolos e de uma data: “11/04”.

Quais são esses símbolos?

Havia um pentagrama invertido, inscrições como “inferno” em inglês, dentre outras, além da data. Uma luva com látex foi apreendida no local.

O que significa essa data?

Diante de alguns símbolos, ligados ao satanismo, aprofundamos na pesquisa sobre referida data. Dia 11 de abril é o aniversário de nascimento de Anton Szandor LaVey, em Howard Stanton Levey, em Chicago, no ano de 1930. Ele organizou a Igreja de Satã nos Estados Unidos em 1966.

Os autores dessa ameaça foram identificados?

Todos foram identificados durante trabalho de investigação da Polícia Civil de Ribeirão do Pinhal.

Quantos eram? Quais as idades?

Apuramos que cinco pessoas participaram da organização, mas uma desistiu. Quatro, no total, entraram na escola. Todos são adolescentes.

Quais as provas contra eles?

A polícia conta com provas materiais e confissão de todos. Infelizmente, as câmeras estavam desligadas na ação dos vândalos e não houve testemunhas nem denúncias, quase esvaziando o trabalho da polícia. Investigadores da cidade trabalharam no período de folga e toda a equipe debruçou-se sobre o caso. Somente ontem (11 de abril) seis casas foram vistoriadas. A polícia realizou apreensões e afastamento de sigilo telemático. Todos os cinco jovens foram ouvidos e seus depoimentos gravados ao lado de seus representantes legais. Com afastamento de sigilo telefônico de dados do Google, podemos inclusive recuperar fotos tiradas pelo grupo durante a ação, não deixando margem a dúvidas quanto a identificação. Além disso, um bilhete, colado com fita crepe preta, foi afixado no local. Durante as buscas, localizamos um caderno cuja letra cursiva tem características similares e um rolo de fita crepe preta, a mesma empregada no dia do crime. Mesmo com confissões, o material passará por perícias.

Qual a motivação? Planejaram um atentado?

Os relatos indicam que não estavam planejando atentado. Foi um ato de rebeldia e com objetivo de aparecer, literalmente, chamar a atenção. São jovens de baixa autoestima e foram impulsionados pela notoriedade midiática do caso. Eles revelaram que a intenção inicial era vandalizar uma loja maçônica, mas desistiram da ideia, voltando as atenções para a escola, que fica relativamente próximo.

Esses adolescentes tinham passagens pela polícia?

Não.

Havia alguma conotação religiosa?

Dois dos jovens frequentam uma igreja evangélica e demonstram profundo conhecimento bíblico e sobre o satanismo. Dois outros se declararam ateus. Um nada disse.

Todavia, disseram que a data “11/04” nada tinha a ver com satanismo, apenas uma data aleatória e tudo foi mera coincidência com o nascimento de um satanista.

O que ocorrerá com esses jovens? O que a Polícia pode fazer?

A Polícia Civil fez o seu papel. A par de todas as dificuldades estruturais e do caso que era de difícil solução (ante a ausência de filmagens e testemunhas) resolvemos na sua integralidade. Os adolescentes foram ouvidos e, mediante compromisso de seus representantes legais, encaminhados ao Ministério Público para adoção de providências legais. É o que está previsto no artigo 177 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

O ECA prevê as seguintes medidas socioeducativas que estarão sujeitos: advertência, reparação de danos, liberdade assistida, semiliberdade e até mesmo, em último caso, medida de internação (onde a liberdade é restringida) em casos envolvendo violência ou grave ameaça à pessoa.

Portanto, a fase extrajudicial já foi totalmente exaurida. O desfecho agora é no Poder Judiciário e Ministério Público, que já foram devidamente inteirados do assunto e dos desdobramentos causados. Anoto, também, a grande participação da Polícia Militar na segurança da cidade na data de ontem (11/04), além do Grupo de Diligências Especiais de Jacarezinho (GDE) que prestaram auxílio na prevenção.

Porque os nomes dos jovens, nem fotografias foram exibidos para a imprensa?

Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente que expressamente proíbe.

Deixe um Comentário