Política

Definição do quadro político na região deve ocorrer até abril

Disputa nem bem começou e pré-campanha já mostra o baixo nível entre os postulantes 

Da Redação com Bem Paraná


O quadro político no Norte Pioneiro está longe de definição, mas já é possível vislumbrar uma campanha de baixo nível, muito longe do conceito de ética que deveria imperar entre os concorrentes. A definição das candidaturas e respectivos grupos a se apoiarem, a exemplo do restante do país, deve ocorrer até abril, principalmente pelas mudanças nas regras que nortearão o pleito deste ano. 

Porém, muito antes disso acontecer, os nomes mais proeminentes da pré-disputa já enfrentam ataques de possíveis adversários. Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Cambará são os exemplos mais visíveis desta situação, que pode se agravar e exigirá esforço redobrado das assessorias de campanha e Justiça Eleitoral.

Em Jacarezinho o alvo predileto dos ataques é o empresário Marcelo Palhares (PSD), que vive sua primeira experiência política. Executivo bem sucedido e amigo do governador Ratinho Junior, do mesmo partido do jovem ingressante no mundo político, Palhares sofre ataques de todo tipo, que invadem sua vida particular e familiar.

Em Cambará o atual prefeito José Salim Haggi Neto (MDB) é candidato à reeleição, mas um veículo da mídia eletrônica o coloca fora da disputa, num jogo que vira piada na cidade.

Outro que sofre ataques é o ex-prefeito de Santo Antônio da Platina, Pedro Claro de Oliveira Neto (PSD), num jogo que só fortalece seu nome pelo que fez como administrador da cidade.  

Fim das coligações proporcionais

O fim das coligações proporcionais e o prazo para filiações transformaram os meses de março e abril em um período decisivo para as eleições municipais de 2020. É que pela nova legislação, os partidos terão que concorrer com chapas próprias para vereador e têm até 4 de abril para filiar os futuros candidatos ao legislativo. 

Como não poderão mais se unir a outras legendas para disputar cadeiras nas câmaras, na prática isso significa que as siglas têm menos de três meses para atrair os pré-candidatos que vão disputá-las em outubro.

Além disso, de 5 de março ao dia 3 de abril será aberta a chamada “janela partidária”, quando os vereadores poderão mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato. Isso deve fazer com que muitos parlamentares troquem de sigla, em busca de uma legenda em que tenham mais chance de conseguirem a reeleição.

“Atrelado ao prazo mínimo de filiação partidária, o fim das coligações na eleição proporcional deverá causar uma transformação na estrutura partidária brasileira, com a finalidade de fortalecimento das siglas mais estruturadas e que valorizam o trabalho prévio, como encontros, palestras, eventos formativos e processos seletivos entre os filiados para a obtenção de possíveis candidatos”, explica o cientista político Tiago Valenciano, doutor pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Segundo ele, o fim das coligações partidárias nas eleições para vereador será um fator primordial para a definição do cenário eleitoral como um todo.

Recorde – Valenciano lembra que sem o instituto da coligação, os partidos disputam sozinhos e contando apenas com seu próprio quadro de pré-candidatos, sabendo que podem contar somente com os nomes filiados até o fim de março. Quer dizer, mais do que a necessidade de observar o prazo mínimo de filiação de seis meses antes da eleição, é importante ter uma chapa de vereadores bem desenhada, fator fundamental para a disputa para prefeito. Uma boa equipe de pré-candidatos à vereança aumenta a probabilidade do sucesso do candidato à prefeitura, avalia.

Esses fatores reforçam a possibilidade de que as eleições deste ano tenham um número recorde de candidatos a prefeito. Isso porque partidos que não tiverem candidatos próprios às prefeituras tendem a ter dificuldades para atrair pré-candidatos competitivos a vereador. 

Os nomes mais fortes às cadeiras nas câmaras tendem a buscar legendas com candidatos a prefeito, pois o cabeça de chapa ajuda a dar visibilidade à chapa de candidatos a vereador e a garantir mais votos de legenda na disputa proporcional.

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