Educação

Curso de Medicina não é um plano de negócio, critica professor

Para Aguinaldo do Carmo, direção da UENP maquia informações para justificar escolha de Cornélio Procópio

Professor Aguinaldo Roberto do Carmo
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Da Redação


“Não se trata de disputa política e, tampouco, de disputa entre cidades, estamos falando de um projeto que muda o contexto de uma microrregião exportadora de doentes, que influenciará diretamente a gestão na área da saúde dos municípios e o desenvolvimento socioeconômico da região que apresenta um dos piores índices de desenvolvimento Humano do Estado. O Governo tem que decidir instalar o curso de Medicina da UENP, muito mais que uma decisão técnica, mas humana”. Com esta frase, o professor Aguinaldo Roberto do Carmo resume sua opinião sobre a polêmica gerada pela decisão da reitoria da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) que decidiu instalar o curso de medicina da instituição na cidade de Cornélio Procópio, preterindo a microrregião da Amunorpi – Associação dos Municípios do Norte Pioneiro. 

Aguinaldo é professor Universitário na área de administração, ex-vereador em Santo Antônio da Platina, e foi um dos idealizadores da proposta do curso de medicina no Norte Pioneiro, liderando um amplo movimento neste sentido em janeiro de 2013.

Para ele, trata-se de investimento de dinheiro público que necessita ser muito bem aplicado para melhorar a qualidade de vida de uma população que há décadas sofre pela deficiência em saúde pública e infraestrutura. “No meu ponto de vista, não há discussão, basta refletir: são seres humanos que todos os dias arriscam suas vidas deslocando-se para grandes centros, a maioria deles, em estado grave de saúde, na luta pela vida”, emociona-se. 

Aguinaldo diz que ao assistir a apresentação do projeto de criação do curso de medicina, ocorrido na ultima quinta-feira (5), pela reitoria da UENP apontando Cornélio Procópio como sede, questionou o critério técnico ao escolher uma cidade que está a cerca de 60 km de um grande centro como Londrina, onde têm universidades com dois cursos de medicina já estabelecidos. “Vejo com indignação como essa questão foi e está sendo conduzida pela cúpula da instituição. É visível que estão forçando a barra a favor da cidade sede da Amunop”, critica.

Para Aguinaldo do Carmo, a UENP é uma riqueza incalculável para o Norte Pioneiro e, como tal, deve ser preservada e cada vez mais fortalecida, pois foi criada para ser o pilar de desenvolvimento no Norte Pioneiro e está cumprindo com seu papel. “Porém, analisando o projeto como um todo, vejo que as principais justificativas para a escolha da cidade em que o curso deverá ser implantado é de que a mesma possui 20 leitos a mais em relação às outras, números de médicos, hospital de instituição de plano de saúde, etc… e uma logística descabida para os estudantes fazerem o curso, não são parâmetros essenciais para o Estado aplicar um volume grande de recursos públicos”, observa.

Para o professor “o projeto do curso de medicina não é um plano de negócio. No plano de negócio é analisado a viabilidade econômica e financeira, sendo local de implantação do empreendimento uma das estratégias para gerar maior lucratividade para o investidor, que analisa oportunidades lucrativas, disponibilidades de recursos e infraestrutura existentes. Com essa ideia, sempre os centros maiores e com mais recursos serão contemplados, é fato. No entanto, deixa de fazer sentido o propósito de levar desenvolvimento aos lugares mais distantes”.

O professor opina que de acordo com MEC (Ministério da Educação e Cultura) o critério para seleção da localidade deve-se observar a necessidade de formação médica em municípios mais distantes dos grandes centros, onde a população enfrenta dificuldades para ter acesso aos serviços de saúde e consultas com especialistas. “Outro critério é que não haja cursos a uma distância mínima de 75 km. Portanto há divergências no projeto quanto aos critérios estabelecidos pelo MEC em relação à implantação de novos cursos de medicina”, assinala.

Aguinaldo arremata assinalando que a escolha do local para implantação do curso de Medicina deve ser feita por uma questão social, diminuindo as desigualdades, pois haverá um grande volume de recursos públicos a serem aplicados. “Portanto deve-se fundamentar a o projeto de criação do curso de medicina demonstrando a relevância social e a demanda social por profissionais médicos, ou seja, implantar um curso de medicina próximo a um grande centro com dois cursos existentes, contrapõe o propósito do projeto”, sustenta.

Encerrando, o professor ressalta que o Norte Pioneiro possui diversas potencialidades para a instalação do curso, como, por exemplo, o Hospital Regional estadualizado e subutilizado, consórcio intermunicipal de saúde, centro de especialidades, UTI neonatal e adulta, a instalação do hospital do câncer, entre outras existentes. “Conforme dados do IBGE, o evidente aumento populacional de algumas cidades, com projeção ainda maior para os próximos anos, é urgente a necessidade de investimentos públicos nessas potencialidades, pois com a carência de profissionais médicos aliada à grande demanda da população, cabe ao governo do Estado reavaliar ou refazer o projeto de forma coerente para resolver essa questão”.

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