Política

Crise política chama-se inépcia no Covid.

“A maior ameaça que enfrentamos agora não é o próprio vírus, é a falta de solidariedade global e de liderança global’ – Tedros Adhanom, diretor OMS.

Amauri Escudero Martins*

A fraca, mentirosa e criminosa atuação de Jair Bolsonaro como presidente, trocando 2 ministros de Saúde e deixando um general de reserva na interinidade, guerreando com a ciência, opinião pública e minimizando a “gripezinha” que matou mais de 52 mil pessoas no Brasil, inviabilizou o país e o deixou a mercê de Fake News e uma guerra de falsos terapeutas da causa perdida, além de bandoleiros de oportunismo clínico.

Um bando de possuidores do achismo, pois entendo que “quem acha, não sabe!”, deu de ombros à oportunidade de aprendermos com os acertos e erros de outros países, que sofrendo com a pandemia do novo coronavírus SARS CoV2 (COVID 19) lutaram com suas ferramentas, dúvidas e buscaram nos mestres da Ciência seus aliados.

Falsos líderes de selfies baratas, ídolos de mídia instantânea e adeptos de influencertubbies da mediocridade ululante, incapazes de lerem relatórios com mais de 2 páginas, conseguiram desentender no simples: como fazer no Brasil ter menos mortes e impacto na sociedade como um todo, do mais pobre ao rico e aquinhoado.

Estes ricos viram pela primeira vez que não poderiam usar jatinhos em leasing ou locados para esconderem-se no Caribe ou Europa. Seu dinheiro não os protegeria da morte próxima.

Alguns preferiram gravar vídeos ao lado de notórios otários, que fingiam ser líderes, indicando até suspeição paranoica mundial de alarme falso, o que atrasou a tomada de posição de alinhamento de governos – do município, estados e União.

De Presidente a vereadores, todos dando a dimensão do perigo que poderia vir.

Ao contrário, comportaram-se como golpistas de esquemas financeiros em pirâmide e venderam uma tranquilidade que não existia, ilusão criminosa que não sobreviveu a sessenta dias.

Nem ao menos a gripe H1N1 – em meados de 2009 –  ensinou e deu responsabilidade aos gestores públicos e privados de saúde (aliás estes perecerão um capítulo à parte nos tratados históricos que escreveremos ainda – bilhões de reais à disposição de planos de saúde e a conta de leitos de UTI foi deliberadamente empurrada para o setor público SUS e em nenhum momento diminuíram as mensalidades e seus lucros). Neste caso os controladores sociais, de agências reguladoras a Ministério Público Federal e Estadual foram omissos (e continuam sendo) tanto quanto estes mercadores da saúde privada.

Convivemos com o pior da liderança política com um povo solidário e que dará a resposta a estes sequazes da ignorância nas próximas eleições.

A OMS disse que a pusilamidade pode custar mais gente infectada e morta. É o preço que pagamos hoje, apesar de ainda enfrentarmos doenças como dengue, sarampo, febre amarela e até as da vergonha e miséria brasileira: Chagas e hanseníase.

Soma-se a tudo isso, um bando de prefeitos chinfrins que desejando reeleger-se (para que, ninguém sabe!) ou fazer seu sucessor brincaram com os relatórios  que não conseguem compreender, dados que não sabem ler e ao lado de falsos líderes empresariais,  bancaram a hegemonia da pequena economia local, causando a sensação que o chefe tribal podia tudo, e agora escondem-se da responsabilidade pela morte súbita de seus municípes.

Uma vergonha política e social a toda prova.

O Brasil desta geração política de esquálidos culturais carregará nos ombros a incapacidade de serem líderes, para tanto a autocrítica deveria ser de pedir desculpas pelas bobagens que fizeram.

Ainda há tempo de corrigir.

*Amauri Escudero Martins – ex-secretário de Estado do Paraná em Brasília; ex-diretor geral da Secretaria da Fazenda do Paraná, além de vários cargos estaduais e municipais

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