Santo Antônio da Platina

Conselho de Ética de hospital vai investigar atuação de falso médico

Diretor clínico do Hospital Nossa Senhora da Saúde minimiza denúncias contra profissional sem registro no CRM

Da Redação


O médico Cláudio Luiz, diretor clínico do Hospital Nossa Senhora da Saúde (HNSS), de Santo Antônio da Platina, pivô de uma polêmica sobre suposta atuação de um falso médico na unidade, informou na manhã desta quarta-feira (3), que vai acionar o Conselho de Ética da instituição para investigar o caso envolvendo o bacharel em Medicina, Alex Antônio de Paula, formado numa universidade da Bolívia, mas sem o exame de revalidação do diploma (Revalida) do Ministério da Educação (MEC), portanto, sem o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Alex se formou há cerca de três anos, teria tentado três vezes obter o revalida, sem sucesso e, segundo denúncias, vinha atuando dentro do HNSS, mesmo não sendo médico legalizado. A Tribuna do Vale apurou que o suposto falso médico é tratado como “Dr. Alex” e várias pessoas com quem a reportagem teve acesso o trataram como se fosse um profissional da medicina.

Em seu rápido contato com a reportagem, Cláudio Luiz minimizou a atuação de Alex de Paula, informando que teve cesso ao prontuário de um paciente que morreu recentemente no hospital e que teria sido assistido pelo suposto falso médico. “Não foi possível atestar se existe assinatura dele (Alex) no prontuário. As assinaturas são da médica Cassiana Dias dos Reis, que fez a cirurgia”, assinalou.

Fatos estranhos

Fato estranho é que o paciente em questão é Adriano Pelegrini Coimbra, de 24 anos, que morreu no Hospital Nossa Senhora da Saúde no dia 21 de março, três dias depois de ter sido operado pela cirurgiã Cassiana Dias dos Reis, que viajou no mesmo dia da operação para corrigir um problema na vesícula. “Se ela viajou no mesmo dia que operou, como sua assinatura é a que consta no acompanhamento pós-operatório do paciente?”, questiona uma fonte de dentro do hospital.

O pai da cirurgiã, que acompanhou a operação, o também médico cirurgião Luciano Dias dos Reis, em entrevista por telefone, confirmou que a filha viajou no mesmo dia da intervenção, mas que ela teria passado a responsabilidade do acompanhamento do paciente ao médico Orlando Papi. Este, porém, desmentiu Luciano, informando que teve contato com Adriano Pelegrini, mais conhecido na cidade pro Podosky, apenas uma vez, exatamente no momento em que seu quadro clínico se agravou e acabou levando-o a morte.

Em entrevista na noite de terça-feira (2) ele disse que teve apenas um contato com o paciente, tendo sido chamado pelo hospital em razão do agravamento de seu quadro clínico. “Fui chamado pelo hospital na tarde do dia 21(de março). Ao chegar ao quarto do paciente, lá estava o Alex (de Paula, suposto falso médico), que me relatou a gravidade. Fizemos todos os exames e procedimentos, inclusive cogitamos transferi-lo para a UTI da Santa Casa de Jacarezinho, mas o paciente acabou morrendo”, relatou.

Sem chance

Um médico que atua no Hospital Nossa Senhora da Saúde, relatou ao jornal, na condição de anonimato, que não acredita em qualquer resultado de uma eventual investigação do Conselho de Ética da instituição. “Sem chance de dar em alguma coisa. Vai ser uma investigação para ‘inglês ver’. Esse falso médico (Alex de Paula), atua dentro do hospital beneficiando outros profissionais, inclusive o diretor clínico Cláudio Luiz. Ele é filho da enfermeira e secretária do próprio Dr. Cláudio, Regina de Paula. Todo mundo sabe disso no hospital”, disparou o profissional.

“Se o Ministério Público fizer uma devassa no Hospital Nossa Senhora da Saúde, vai sair ‘cobras e lagartos’. Difícil é acreditar que isso vai acontecer, a menos que a família do paciente que morreu formalize uma denúncia. Nem do Conselho Regional de Medicina dá para esperar alguma coisa. Está todo mundo junto e misturado”, arremata, ironizando ao citar uma música muito popular.

A família de Adriano Podosky constituiu uma advogada que analisa, além de procedimento na área cível, a formalização de denúncia crime na Polícia Civil e no Ministério Público. Em respeito ao quadro de dor pela perda de um jovem de apenas 24 anos, cheio de sonhos, a reportagem preservou a família, principalmente a mãe do rapaz, que está desconsolada.

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