Saúde

Com mais de 400 casos confirmados, Jacarezinho vive nova epidemia de dengue

Mais de 300 pacientes ainda aguardam resultados de testes para confirmação da doença, o que pode agravar ainda mais a situação no município

Foto: Antônio de Picolli

Lucas Aleixo, especial para a Tribuna do Vale

Jacarezinho enfrenta uma nova epidemia de dengue. Já são mais de 400 casos confirmados da doença e outros 300 pacientes com suspeita, aguardando a confirmação dos testes laboratoriais. Para piorar ainda mais a situação, o inseticida usado no fumacê para controlar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, está em falta em todo Brasil e ainda não há previsão de quando uma nova remessa será repassada pelo governo federal aos municípios.

A região com maior concentração de casos confirmados é a Vila São Pedro, local onde a epidemia teve início, com dois casos importados do Estado do Mato Grosso. A partir daí, como o índice de infestação do mosquito já era extremamente alto em Jacarezinho, a confirmação de uma epidemia no município era questão de tempo.

Até a última atualização dos números de pacientes com a doença eram exatamente 416 casos confirmados. As outras mais de 300 pessoas com suspeita de terem contraído a dengue aguardam a confirmação dos testes.

O secretário municipal de Saúde de Jacarezinho, Marcelo Nascimento e Silva, projeta que nos próximos dias o número ainda deverá crescer consideravelmente. “Acredito que estamos próximos de 700 casos da doença, considerando os resultados dos exames que devem ser divulgados em breve. O município tem se empenhado desde os primeiros casos identificados, mas é uma situação muito difícil de lidar, ainda mais sem o inseticida”, lamenta. “Inclusive já estamos tendo dificuldade em realizar os bloqueios nas regiões com a confirmação da doença, o que temos feito com cada um dos casos. Mas o número é tão grande que as equipes já estão tendo problema em manter esse trabalho”, complementa.

De acordo com Tony Palhares, diretor da 19ª Regional de Saúde, o Ministério da Saúde já fez a aquisição de um lote de inseticida, porém ainda não há previsão sobre o repasse. “O que temos de informação é que o Ministério da Saúde comprou 100 mil litros do inseticida e vai nos repassar, mas não temos uma previsão. Agora, independente disso, a gente precisa da conscientização por parte dos moradores, que enquanto houver criadouros do mosquito, havendo a circulação viral da doença, não vai parar de ter casos de dengue. Enquanto Estado nós temos dado treinamento, orientado e fazendo o que é da nossa alçada, mas acabar com os criadouros é algo que só acontece com empenho total da população”.

ATENDIMENTO

Para atender os pacientes com dengue a Secretaria de Saúde montou uma estrutura específica no Posto de Saúde da Vila São Pedro, com atendimento das 8h às 17h, além do já existente plantão do Posto Central da Rua Paraná, que funciona após as 17h. “Com os atendimentos da Vila São Pedro e do plantão temos conseguido tirar a sobrecarga da Santa Casa, que estava tendo grande procura pelos pacientes com suspeita de dengue”, revela o secretário de Saúde.

CONTROLE BIOLÓGICO

O que poderia ser uma solução a curto prazo para o combate a dengue esbarra na burocracia. O projeto de controle biológico desenvolvido inicialmente de forma experimental no bairro do Aeroporto, que poderia ser expandido para todo município, teve sua continuidade condicionada pelo Ministério Público à realização de uma licitação por parte da prefeitura para contratação dos responsáveis por continuar o controle biológico.

Para se ter uma ideia, no Aeroporto o índice de infestação do mosquito foi reduzido em 90%, e o bairro, que historicamente tinha os maiores números de casos de pacientes da dengue, hoje apresenta pouquíssimos casos.

O projeto consiste na soltura assistida de machos estéreis nas áreas abrangidas – lembrando que apenas a fêmea transmite doenças. Como a fêmea do Aedes aegypti só copula uma única vez durante a vida, se a cópula acontecer com um macho estéril não haverá novos mosquitos. Já em uma reprodução sem intervenção biológica uma fêmea pode gerar até dois mil novos descendentes.

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