Jacarezinho

Com 36% de verbas a menos, Instituto Federal pode parar

Instituição, reconhecida pela qualidade de ensino, tem cerca de 800 alunos e sofre com orçamento decrescente desde 2015 C

Lucas Aleixo – Especial para Tribuna do Vale

O funcionamento do campus de Jacarezinho do Instituto Federal do Paraná (IFPR) estará sob risco se o Ministério da Educação (MEC) não rever de decisão de promover cortes de verbas da educação anunciados recentemente pelo governo federal. Pelas estimativas dos dirigentes do órgão, se esses cortes efetivamente ocorrerem a unidade perderá 36% dos recursos para sua manutenção, deixando a instituição na iminência de fechar suas portas.

O detalhe é que o corte viria sobre um orçamento já em queda constantes desde 2015 e em um cenário de recursos cada vez mais escassos. Para se ter uma ideia da situação, em 2013, o orçamento anual do IFPR em Jacarezinho era R$ 1,6 milhão, enquanto que em 2015 foi de R$ 1,9 milhão. Levando em consideração reajustes e inflação, o orçamento para 2019 deveria estar próximo a R$ 2,5 milhões. Mas a realidade é completamente diferente.

Sem o corte, o orçamento para este ano é de R$ 1,7 milhão. Se a suspensão do envio de recursos se confirmar, o orçamento cairia para R$ 1,1 milhão. Para Moisés Evangelista, diretor de planejamento e administração do campus, a realidade da instituição é das mais preocupantes. “Perdemos completamente a capacidade de investimentos. Ou seja, não temos recurso nenhum para comprar novos equipamentos ou fazer obras. Isso com o orçamento atual, sem levar em consideração os cortes. Desde 2015 nossos recursos estão diminuindo e sobrevivemos graças a emendas parlamentares e recursos extras”, revela.

“Com o corte, o impacto maior seria sobre os contratos dos terceirizados, onde mais de 20 pessoas trabalham. Mas também ficaríamos sem condição de comprar material de limpeza, expediente e até materiais para o laboratório, isso de forma imediata. Por enquanto os alunos não sentiram efeitos porque trabalhamos com o que temos de estoque. Agora, com 36% a menos de orçamento, eu posso afirmar que só teríamos recursos para funcionar até agosto”, projeta o diretor.

Moisés ainda expõe que o recurso de maio e junho já foram reduzidos, independente dos cortes que o governo anunciou. “Segundo o diretor, geralmente o IFPR recebe o repasse do mês em curso e parte do mês seguinte. “Em abril recebemos o valor do mês e 80% do programado para maio. Só que depois recebemos a informação de que esses 80% antecipados de maio seriam os únicos valores que receberíamos. Então já diminuímos praticamente tudo que poderia, sem afetar o trabalho do campus. Menos recurso que isso vai comprometer seriamente o nosso funcionamento”.

O diretor geral do campus, Rodolfo Fiorucci, aponta que a situação econômica também frustrou planos de melhorias. “80% dos alunos aqui são cotistas, vêm de famílias humildes, muitos moram longe, então seria fundamental termos um refeitório. Mas como vamos manter mais uma estrutura se nossos recursos sequer conseguem manter a estrutura atual?”.

No momento o campus já trabalha sem a contratação de novos estagiários, sem eventos que gerem diárias ou quaisquer outros tipos de gastos. Com nove cursos entre ensino médio integrado com técnico, cursos superiores e pós-graduação, o IFPR de Jacarezinho tem aproximadamente 800 alunos e é reconhecido nacional e internacionalmente nos quesitos inovação e transformação, inclusive apontada pelo MEC como escola modelo. Além disso, quando o governo federal divulgada as notas do ENEM, a instituição costuma ser a líder na região entre as notas dos alunos tamanha qualidade do ensino.

“Temos alunos que foram premiados em âmbito nacional, já tivemos alunos indo para Portugal mostrar projetos inovadores desenvolvidos aqui. Enfim, essa é uma estrutura que transforma vidas através da educação. Só que essa transformação que estamos promovendo está seriamente ameaçada”, lamenta Rodolfo.

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