Jacarezinho

Com 184 casos, Jacarezinho busca ações contra a dengue

EPIDEMIA

Controle biológico do Aedes aegypti voltou a ser pauta e tem consenso por continuidade

Lucas Aleixo – Especial para a Tribuna do Vale

O Conselho Municipal de Saúde de Jacarezinho se reuniu na tarde desta sexta-feira (7), para debater ações contra o aumento dos casos de dengue no município. Até o momento são 184 pacientes confirmados com a doença, mas a estimativa é que este número aumente significativamente já que a identificação de casos suspeitos é muito grande. A reunião contou com a presença de representantes da prefeitura, da 19ª Regional de Saúde e da Forrest Brasil Tecnologia, empresa que desenvolveu um método de controle biológico do mosquito transmissor.

“É uma situação de muita preocupação e precisamos debater e colocar em prática soluções para diminuir o problema. Eu, por exemplo, não conhecia esse projeto do controle biológico, mas parece ser uma solução muito interessante”, afirmou o presidente do conselho, Diego Silva.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Nascimento e Silva, reitera a preocupação com o crescimento dos casos de pacientes diagnosticados com dengue. “A situação é grave. Temos 184 casos confirmados, mas este número pode dobrar facilmente se alguns dos muitos casos suspeitos se confirmarem. A gente precisa da colaboração da população na limpeza de terrenos e lotes para diminuir os criadouros do mosquito”.

CONTROLE BIOLÓGICO

Entre todos os presentes um consenso: a necessidade da ampliação do projeto de controle biológico para todo o município. Desenvolvido pela Forrest, inicialmente como projeto piloto no bairro do Aeroporto, a soltura de mosquitos Aedes aegypti machos estéreis no meio ambiente mostrou a redução de 90% da infestação na área abrangida.

Isso porque a fêmea só copula uma única vez na vida. Se a cópula acontecer naturalmente, podem surgir até dois mil descendentes. Entretanto, se a cópula for com um macho estéril, não haverá novos mosquitos a partir desta fêmea.

Durante oito meses a empresa fez a soltura assistida de milhares de machos estéreis no Aeroporto. O bairro, que historicamente era sempre um dos locais com maior reincidência de casos de dengue, neste ano é uma das regiões menos afetadas pela doença na cidade.

“O mais interessante disso tudo é você conseguir a redução sem precisar fazer o uso de inseticidas, apenas com o controle biológico. É um benefício muito grande para todo o meio ambiente”, avalia o promotor em saúde da 19ª Regional, Ronaldo Trevisan.

A ideia inicial da prefeitura em dar continuidade imediata ao projeto esbarrou na exigência do Ministério Público da realização de um processo licitatório para formalização de um contrato entre município e a Forrest. Entretanto, a estimativa é que nas próximas semanas o processo tenha andamento para que todo o município receba a soltura de machos estéreis e a infestação do Aedes seja reduzida drasticamente.

“É um trabalho de dois anos que vai trazer frutos por muitos outros anos, porque a população do mosquito em si irá diminuir e as pessoas serão conscientizadas. Estamos trabalhando em parceria com a prefeitura para que a gente possa dar continuidade a este projeto que é pioneiro em todo o mundo e tem eficiência comprovada”, garante a gerente geral da Forrest no Brasil, Elaine Paldi.

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