Santo Antônio da Platina

Cidade perde controle da dengue

Apesar dos alertas, perímetro urbano permanece com áreas propícias ao desenvolvimento do mosquito transmissor

Terrenos, no centro e na periferia, não são limpos e prefeitura não age para punir os donos dos imóveis
CRÉDITO: TRIBUNA DO VALE

Da redação


Em tempos de coronavírus, em que todas as atenções se voltam para a pandemia que mata milhares de humanos em todo o mundo, a dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypt se espalha pelo Paraná, merecendo pouco ou quase nada atenção de governantes e da própria imprensa.

Santo Antônio da Platina é o exemplo desses casos da sociedade e do poder público. Pela primeira vez a cidade é classificada em situação de epidemia, com registro de 362 casos confirmados. Nem isso sensibiliza a administração municipal que finge não ver que a situação está perdendo o controle.

Por toda cidade são mantidos focos de reprodução do mosquito transmissor sem que nada aconteça. A prefeitura simplesmente ignora a manutenção de terrenos que são focos do mosquito. A população denuncia, mas nada acontece.

Exemplo vergonhoso desse descalabro pode ser constatado no centro da cidade e, ainda mais grave, nos bairros da periferia. Terrenos abandonados são foco do mosquito.

A reportagem, orientada por um agente de endemias que esteve na manhã de ontem, 1º, ligou para o telefone da ouvidoria municipal onde poderia denuncia o descaso, mas uma gravação informou que, devido a pandemia de coronavírus, o serviço estava suspenso e que o interessado deveria acessar o site da prefeitura e preencher um formulário.

Ou seja, pela gravação, os responsáveis pela área de fiscalização temem que seus funcionários sejam contaminados por telefone. A população platinense nem por telefone pode reclamar.

Um morador do Jardim Bela Manhã, um dos mais contaminados da cidade, disse na tarde de ontem que desistiu de reclamar. Ele conta que a última vez que recebeu em casa um agente de saúde foi em outubro do ano passado. Para provar o morador mostrou a ficha de controle afixada na porta de sua residência.

“A conclusão a que cheguei é que estamos vivendo numa terra de ninguém. Não temos a quem recorrer. A cidade está abandonada, com mato crescendo até no meio da rua. Uma vergonha”, desabafa o vereador Genivaldo Marques, um dos mais contundentes críticos da administração municipal nas sessões da Câmara Municipal.

Marques ressalta que a prefeitura é eficiente para cobrar impostos dos contribuintes platinenses, mas não hora de fiscalizar e devolver em serviços de qualidade é um fracasso. “A prefeitura usou drones para medir o tamanho dos imóveis para cobrar IPTU. Porque não usa o equipamento para fiscalizar terrenos abandonas, focos de proliferação do mosquito da dengue”, questiona.     

A reportagem procurou a secretária municipal de Saúde, Gislaine Galvão, para comentar o assunto, mas até o fechamento desta edição não houve retorno. 

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