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Chorando a morte do filho de 25 anos, taxista pede justiça

Após registrar BO na Polícia Civil, Valdeci Coimbra diz que Alex de Paula se apresentava como médico

Valdeci Coimbra esteve na manhã de ontem (15) na Redação da Tribuna do Vale – Crédito: Antônio de Picolli

Da Redação

Inconformado com a morte do filho, Adriano Pelegrini Coimbra, de 25 anos, o Podosky como era conhecido, o taxista Valdeci Bronzato Coimbra, de 55 anos, compareceu na manhã desta segunda-feira (15), à 38ª Delegacia Regional da Polícia Civil, em Santo Antônio de Platina, quando registrou um Boletim de Ocorrência (BO) relatando o que aconteceu no Hospital Nossa Senhora da Saúde desde que o filho foi internado para uma cirurgia de vesícula.

Valdeci Coimbra forneceu à reportagem da Tribuna do Vale uma cópia do BO lavrado na delegacia. Ele informou que o delegado Rafael Guimarães vai abrir inquérito policial e solicitará, nos próximos dias, a apresentação de documentos já liberados pelo hospital à família, entre os quais, o prontuário do paciente.

Bastante emocionado, o taxista não se conteve ao falar do filho e chorou muito durante o tempo em que esteve na redação do jornal. Ele não se conforma com o que aconteceu com Adriano. No BO ele relatou que o jovem deu entrada no HNSS por volta das 10 horas do dia 19 de março e às 13h20 do mesmo dia foi operado da vesícula. Inicialmente, o procedimento realizado pelos cirurgiões Cassiana Dias dos Reis e seu pai, Luciano Dias dos Reis, seria por laparoscopia com uso de laser, mas complicações durante a operação obrigou os profissionais a se valerem dos meios tradicionais de corte abdominal.

Valdeci Coimbra relatou à autoridade policial que a família não se conforma em não ter sido consultada para autorizar a mudança no procedimento, que no seu entendimento, deveria ter sido realizado em unidade hospitalar com UTI, que poderia ter salvado a vida de Adriano Podosky.

Ele relata ainda que, logo após a cirurgia, a médica Cassiana Dias dos Reis viajou, deixando o paciente aos cuidados do suposto médico Alex Antônio de Paula, que veio a se saber depois, não possui registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), portanto, em situação de exercício ilegal da profissão.

Sofrimento

Valdeci Coimbra relata o sofrimento do filho desde a realização da cirurgia. Desde o dia 19, quando foi operado, o jovem apresentava muita falta de ar e reclamava de fortes dores abdominais, que foi piorando nos dia seguintes. “Nas duas vezes que o Dr. Luciano (Dias dos Reis) esteve no quarto referiu-se a meu filho com chacota, chamando-o de ‘mole’, como se o Adriano estivesse fingindo a dor que sentia”, conta inconformado.

O taxista relata ainda que, nos dias posteriores à cirurgia, mesmo com o nítido agravamento do estado de seu filho, o falso médico Alex Antônio de Paula se manteve inerte e nada fez para salvar vida de Adriano Podosky, aparentando não conhecer os procedimentos médicos.

Segundo o depoente, no dia 22 de março, com o agravamento do quadro clínico do paciente, o médico Orlando Papi foi chamado em caráter emergencial, mas nada pôde fazer para salvar a vida do jovem, que acabou morrendo com diagnóstico de embolia pulmonar.

No final de seu depoimento, Valdeci Coimbra disse que Dr. Luciano Dias teria dito à mãe de Adriano que o jovem não sobreviveria à cirurgia, pois ele era muito “molão”. “O que dói é saber que meu filho não queria ser operado. A impressão é que ele sabia que iria morrer. Um rapaz, começando a vida, trabalhador, deixa a mulher e uma filhinha de dois anos que vive chamando pelo pai”, relatou, não contendo as lágrimas.

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