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Casamentos Felizes

Mario Eugenio Saturno*


Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles, liderados por Shelly L. Gable, divulgaram uma pesquisa denominada “Will You Be There for Me When Things Go Right? Supportive Responses to Positive Event Disclosures” (Você estará lá para mim quando as coisas forem bem? Respostas de apoio às divulgações de eventos positivos) em que examinam o papel que as trocas emocionais positivas desempenham na relação. Além disso, as respostas dos casais a revelações positivas de eventos foram comparadas com suas respostas a revelações de eventos negativos, que é conhecido como apoio social.

Pesquisas anteriores mostraram que uma característica dos relacionamentos satisfatórios é acreditar que o parceiro estará presente quando as coisas derem erradas (por exemplo, Collins & Feeney, 2000; Pasch, Bradbury, & Davila, 1997), mas ainda não fora demonstrado que o parceiro estaria presente quando as coisas dão certo.

Não é incomum as pessoas esperarem com entusiasmo para compartilhar uma notícia muito boa com o parceiro, mas quando o parceiro reage mal à notícia, experimenta-se uma onda de frustração e ressentimento.

Quando coisas boas acontecem, as pessoas frequentemente compartilham com outra pessoa, um processo chamado de capitalização (Langston, 1994). Capitalizar os eventos positivos tem sido associado ao aumento do afeto positivo e bem-estar independente dos eventos positivos em si, no entanto, esses efeitos dependem das reações das pessoas com as quais os eventos são compartilhados (Gable, Reis, Impett, & Asher, 2004).

Pesquisas mostram que, quando parceiros românticos respondem de forma favorável a revelações de coisas boas, quem divulgou relata sentir-se mais íntimo e mais satisfeito com seu relacionamento do que aqueles cujos parceiros respondem de maneira não atenciosa (Gable et al., 2004). E, curiosamente, não importou se deram apoio social nos eventos negativos (Rusbult, Verdette, Whitney, Slovic e Lipkus, 1991).

No estudo de Shelly, casais de namorados participaram de interações gravadas em vídeo, nas quais se revezavam discutindo eventos positivos e negativos recentes. Setenta e nove casais foram recrutados em um campus de uma grande universidade pública. A única exigência era que estivessem namorando exclusivamente por mais de seis meses. Apenas heterossexuais responderam aos anúncios. Na média, os participantes estavam namorando há 25 meses (variação de 6 a 98 meses). A média de idade das mulheres foi de 21,3 anos e a dos homens foi de 22,2 anos. Os participantes eram de diversas etnias e que refletiam a composição étnica da comunidade universitária. Quarenta e três por cento dos casais coabitavam e três casais estavam noivos.

Shelly observou que, dois meses depois, as respostas às discussões de eventos positivos estavam mais relacionadas ao bem-estar do relacionamento (satisfação, comprometimento e amor) e ao fim do relacionamento (para os homens e mulheres) do que as respostas às discussões de eventos negativos (só para as mulheres). Os resultados mostram o papel, muitas vezes negligenciado, que as trocas emocionais positivas desempenham na construção de recursos de relacionamento.

*Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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