Ribeirão do Pinhal

Casais são habilitados a acolher menores em situação de risco

Programa Família Acolhedora prepara famílias para receber crianças e adolescentes vítimas de violência

O processo de habilitação teve nove módulos em sete encontros, com temas voltados ao programa
CRÉDITO: Divulgação

Priscila Dutra – Da Assessotia


Muito amor para compartilhar motivou três famílias de Ribeirão do Pinhal a abraçar o Programa Família Acolhedora. Na terça-feira (2) elas receberam o certificado da finalização do processo de preparação e já estão aptas para acolher crianças e adolescentes que ficariam em abrigos. O processo de habilitação teve nove módulos em sete encontros, com temas voltados ao programa.

“Recebi vários diagnósticos de que não poderia ter filhos e questionava a Deus sobre o que faria com tanto amor que tenho em meu coração, mas quando ouvi falar do Programa Família Acolhedora entendi que esse era outro caminho para me sentir mãe, mas precisava me libertar do egoísmo e com a ajuda do meu marido João Carlos Venâncio, poderei dividir todo esse amor”, disse, emocionada, a dona de casa Alicélia de Vitor Venâncio.

A professora Cristiane Bianchi Cordeiro Rosa, por sua vez, ressaltou que com apoio do marido José Oscar Pinto, filhos, nora e neto, a experiência poderá ser enriquecedora. “Jamais imaginei participar de algo assim, mas como professora vejo muitas situações complicadas que despertam um desejo de cuidar e se agora temos como proporcionar uma nova oportunidade a essas crianças, porque não fazer? A vida nos prepara muitas surpresas, depois de ser mãe e agora avó acredito que essa experiência também vai contribuir muito para nossa família”, observa.

Quando a Justiça precisa afastar crianças e adolescentes do convívio familiar por se encontrarem em situações de risco, como abandono, negligência, violência física, sexual ou psicológica, normalmente elas são encaminhadas para abrigos, como a Casa Lar Irmã Izilia Folador, em Ribeirão do Pinhal. Segundo o prefeito Wagner Martins (PSD), mesmo contando com uma equipe dedicada um abrigo nunca será como estar em uma família. “Quando conheci o programa pude entender os benefícios, porque por mais que a casa abrigo tenha estrutura e bons profissionais, nada substitui a relação humana que acontece numa família”, frisou.

O Serviço foi regulamentado através da Lei Municipal Nº 1.839/2017 e assume papel de parceira no atendimento à criança ou adolescente oferecendo amor, cuidado, convivência familiar e comunitária. Ele também auxilia na preparação para o retorno da criança ou adolescente à família de origem ou encaminhamento à adoção para outra família. “Não é fácil levar uma criança ou adolescente para casa e depois ter que deixá-la seguir seu caminho, mas acredito que essas famílias estão capacitadas para superar as dificuldades e nossa equipe estará à disposição para ajudar no que for necessário”, esclareceu o secretário municipal de Assistência Social, Carlos Alexandre Braz.

Conforme a coordenadora do Família Acolhedora, Milene Zampieri Badaró, a família cadastrada no programa recebe acompanhamento psicossocial, orientação, capacitação e subsídio financeiro durante o período, custeado mediante os recursos alocados ao Fundo da Infância e Adolescência (FIA), com a deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Para Milene, conhecer as histórias das famílias que fazem parte do programa em outras cidades foi fundamental. “O desafio era grande e não sabíamos como a comunidade iria receber a ideia. Mas esse é um ato de amor ao próximo que ficou ainda mais evidente na capacitação que participamos, onde palestras e orientações ajudaram a conhecer depoimentos de famílias e crianças. Isso foi o incentivo mais forte para seguir em frente”, argumentou.

Acolhimento não é adoção

Importante frisar que o acolhimento não é adoção. Famílias cadastradas no programa não podem adotar as crianças ou adolescentes acolhidos e nem famílias na fila da adoção podem acolher nesse sistema. A dona de casa Elaine Aparecida Rodrigues confessou que a princípio pensou se tratar de um tipo de adoção, mas com os encontros pode entender melhor e abraçou de coração. “Eu já tive uma experiência de cuidar de uma criança que depois voltou para a família e sei como é. Ainda me sinto ansiosa e com um pouco de medo em pensar como vai ser, mas agora que compreendi a finalidade do programa e recebi total apoio do meu companheiro, Hélio Gomes da Silva. Acho que vai ser uma experiência gratificante”, diz esperançosa.

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