Paraná

Campanha de prevenção ao abuso sexual infantil é apresentada na Assembleia

Projeto desenvolvido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia tem o objetivo de conscientizar e denunciar abusadores
CRÉDITO: Orlando Kissner/Alep

Da Assessoria


“O Brasil lidera o ranking de violência contra as crianças. Aumentou em 83% o volume de denúncias de abuso infantil, num período de dois anos”, alertou a professora Keila Pietruszhiski Marques ao apresentar o projeto “Quebrando o Silêncio” promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), no início da sessão plenária desta segunda-feira (26). Através do projeto está sendo desenvolvida uma campanha educativa e de prevenção que tem como tema o abuso sexual infantil e o propósito é conscientizar a comunidade, denunciar abusadores e ajudar às vítimas.

Segundo o deputado Artagão Junior (PSB), que organizou a apresentação do “Quebrando o Silêncio”, a campanha é realizada ao longo de todo o ano e busca dar voz àqueles que estão oprimidos, com destaque para as ações promovidas em agosto. “Temos números alarmantes: 70% das vezes o abuso acontece na casa do abusado ou do abusador. Ele é praticado por pessoas próximas do ambiente familiar ou mesmo integrantes da própria família da criança”, relatou. “Uma a cada cinco crianças são vítimas de abuso”, frisou.

De acordo com o parlamentar, que apresentou um projeto de lei estabelecendo que o quarto domingo do mês de agosto seja dedicado ao projeto “Quebrando o Silêncio”, é fundamental que as famílias, bem como as próprias crianças e adolescentes, sejam conscientizadas sobre o problema. Ele enfatizou ainda a importância da orientação sobre como denunciar os casos e do recebimento também de todo o apoio para superar os traumas provocados por essas situações. Por isso, a Igreja Adventista do Sétimo Dia está disponibilizando (sem nenhum ônus), o material da campanha, composto por cartilhas com linguagem própria para cada faixa etária, o vídeo “O Silêncio de Lara” e folders. A intenção é divulgar o projeto em todas as regiões do Paraná. Artagão Junior disse ainda que a instituição também conta com uma equipe capacitada, que pode proferir palestrar e prestar orientações a todos os interessados.

Denúncias – A professora Keila P. Marques, uma das coordenadoras da campanha e representante do Ministério da Mulher, informou que dados estatísticos e estudos diversos mostram que de cada dez crianças abusadas somente uma faz a denúncia. “Muitas vezes após as exposições sobre o assunto em escolas ou associações somos procuradas por vítimas, que falam sobre o que está acontecendo. Elas estão sofrendo com o trauma e são encaminhadas para receberem orientação. Porém, há casos em que a família não quer denunciar porque o abusador é alguém que faz parte daquele círculo familiar ou de amizade”, lamentou.

“Não podemos nos calar. Precisamos ser a voz dessas crianças”, declarou o deputado Pastor Gilson de Souza (PSC), ao parabenizar a Igreja Adventista do Sétimo Dia pela campanha e o deputado Artagão Junior, por promover a divulgação na Assembleia.  Conforme a professora Keila Marques, o apoio do Poder Legislativo é importante para a disseminação da campanha, que precisa de multiplicadores.

Silêncio – O projeto “Quebrando o Silêncio” tem a finalidade educativa e de prevenção contra o abuso e a violência doméstica. Suas principais ações ocorrem sempre no quarto sábado do mês de agosto, mas elas são desenvolvidas durante todo o ano. Este sábado é o chamado “Dia de ênfase contra o abuso e a violência”, quando ocorrem passeatas, fóruns, escola de pais, eventos de educação contra a violência e manifestações na América do Sul. São 227 igrejas só no Sul do Brasil mobilizadas em torno do assunto.

Todos os anos o projeto trata de um assunto específico, sempre buscando atrair a atenção da comunidade. Como em 2019 o tema é o abuso sexual infantil o público alvo são crianças, adolescentes e jovens. Esse projeto é desenvolvido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o mundo e vem mobilizando oito países da América do Sul, (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai) há quase duas décadas.

No mundo – Os adventistas do sétimo dia, com quase 18 milhões de membros no mundo, pertencem a uma igreja cristã protestante organizada em 1863 nos Estados Unidos. Creem na Bíblia como revelação de Deus literal para nossos dias. Sua origem ocorre logo depois do movimento liderado por Guilherme Miller que ressaltou a necessidade de maior ênfase na pregação sobre a breve volta de Jesus Cristo a esse mundo.

A sede sul-americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, responsável pela coordenação administrativa em oito países, registra mais de dois milhões de membros. Por meio da distribuição de literaturas, o conhecimento da mensagem adventista cruzou fronteiras e em 11 de junho de 1896 foi fundada a primeira igreja adventista em solo brasileiro, no distrito de Gaspar Alto (SC), a qual foi organizada pelo pastor Frank. H. Westphal. No mundo, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é administrada por meio de 13 divisões. Todas estão ligadas à sede mundial localizada em Silver Spring, Maryland, nos EUA.

Disque 100 – No Brasil o principal canal de denúncias de abuso sexual infantil é o Disque 100. Ele funciona 24 horas, todos os dias, e é gratuito. Denúncias podem também ser encaminhadas através do aplicativo Proteja Brasil.

Deixe um Comentário