Destaque Policial

Câmeras que registraram morte de Andrei foram manipuladas

Funcionários de empresa de monitoramento manipularam por 51 minutos as câmeras instaladas no totem da PM na Praça da Espanha

Andrei Francisquini foi morto por policiais militares no dia 12 de maio
CRÉDITO: Arquivo

Da Redação


A cada novo episódio envolvendo as investigações sobre a morte do jornalista e publicitário Andrei Gustavo Orsini Francisquini (35 anos), na madrugada do dia 12 de maio, na Praça da Espanha, centro de Curitiba, complica-se a situação dos policiais militares responsáveis pelos disparos que tiraram a vida do rapaz.

Um dia após o fato, na tarde de segunda-feira (13), dois funcionários da empresa Helper Tecnologia e Segurança, de Colombo (PR), Rodrigo Dunns Rissaman e Bruno Rodrigues de Paz, foram flagrados por câmeras de segurança da Guarda Municipal de Curitiba (GMC) e por imagens registradas por um comerciante do local, manipulando as câmeras instaladas no totem da Polícia Militar.

As imagens captadas pelas câmeras da GMC registram às 16h34 a chegada de um Renault-Kwid, placas BBO -2899, alugado pela empresa Helper Tecnologia e Segurança, em que cujo interior se encontravam os dois funcionários, que permaneceram no carro por alguns minutos.

Em seguida, retiram alguns equipamentos do porta-malas e, às 16h44, abrem totem onde permanecem por 51 minutos mexendo em seu interior, até às 17h36, quando retornam para o carro e deixam o local.

Com a denúncia que chegou à delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade que preside o inquérito da Polícia Civil, esta constatou que a empresa Helper é responsável pelo controle dos equipamentos de monitoramento do totem mantido pela PM na Praça da Espanha, onde Andrei foi alvejado pelos tiros disparados por  policiais, que alegaram legítima defesa por haver indícios de que a vítima estaria portando uma arma de fogo.

Nenhuma das versões apresentadas até agora pela Polícia Militar se sustenta. Desde a divulgação do Boletim de Ocorrência (BO) percebe-se um esforço sobre-humano para tentar caracterizar a ação como de rotina. A PM omitiu no BO a abordagem na Avenida Vicente Machado e os cinco tiros disparados pelos policias contra o carro de Andrei Francisquini.

O mesmo BO tenta justificar os disparos que mataram o jornalista como legítima defesa, apontando que a vítima estaria manuseando uma pistola. A perícia constatou que não há digitais de Andrei na arma, no carregador e muito menos nos cartuchos. A própria PM admitiu que não foram deflagrados tiros da pistola.

Da mesma forma, não foram encontrados indícios de que o rapaz tenha consumido bebida alcoólica ou drogas.  Apesar de tudo isso, o advogado de defesa dos PMs opina pelo arquivamento no Inquérito Policial Militar (IPM), tese rechaçada pelo advogado Paulo Cristo, que representa a família.

PMs que mataram Andrei são interrogados

PMs chegaram acompanhados dos advogados (que estão de terno)
Foto: Reprodução/RPC

Por RPC Curitiba e G1 PR

Os três policiais militares envolvidos na perseguição que acabou com a morte de Andrei Francisquini na Praça da Espanha, em Curitiba, estão sendo ouvidos nesta segunda-feira (17) na 2ª Companhia da Polícia Militar (PM). Essa é a primeira vez que eles falam sobre o ocorrido.

O interrogatório começou por volta das 9h15. Eles seriam interrogados no dia 22 de maio, porém, foram dispensados.

Na época, a defesa dos policiais alegou que a dispensa ocorreu devido ao fato de “se encontrarem afastados dos serviços burocráticos e operacionais com a finalidade de acompanhamento médico-psicológico”.

Além desse Inquérito Policial Militar apurando o caso, há a investigação da Polícia Civil, que está sob o comando da delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade.

A íntegra da nota emitida pelo advogado da família de Andrei

“A família Francisquini já esperava que os policiais militares, ao serem ouvidos pela Corregedoria da Polícia Militar, manteriam a mesma versão dos fatos narrados no boletim de ocorrência de que Andrei Francisquini portava arma de fogo naquela ocasião e, por conta disso, iniciaram a perseguição que resultou na sua morte.

No entanto, este procedimento é meramente administrativo e poderá resultar ou não da demissão dos militares, caso o oficial que conduz as investigações entender que houve imperícia e negligência, além de abuso e excesso naquela operação, por certo a sanção administrativa será a da demissão dos policiais.

Por outro lado, o inquérito presidido pela Dra. Daniela do 3º Distrito, que tem realizado um excelente trabalho sendo imparcial e agindo com total responsabilidade, é de suma importância para revelar todo o ocorrido que resultou na morte de Andrei Francisquini. Neste Inquérito a perícia já descartou qualquer manuseio da arma pelo Andrei, revelou que os policiais deram cinco tiros contra o Andrei em plena Vicente Machado, fato omitido no BO. Agora resta descobrir como aquela arma foi parar na cena do crime e se os policiais militares agiram no estrito dever da profissão, se praticaram excesso ou cometeram um homicídio, alteraram as provas do crime para se beneficiarem.

Portanto, quanto ao procedimento conduzido pela Corregedoria da Polícia Militar, a família só espera que a instituição, Polícia Militar, seja preservada e, que, a Corregedoria atue na maior imparcialidade no que tange a aplicação das sanções previstas no caso em que resultou a morte de um trabalhador, registrado pelas câmeras localizadas em nossa cidade.

Dr. Paulo Cristo”

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