Arapoti

Câmara concede o dobro da inflação em aumento aos servidores de Arapoti

Câmara aprova em 7,54% reajuste de salário de comissionados, servidores e professores municipais

Ana Cláudia Pereira, especial para a Tribuna do Vale


A Câmara Municipal de Arapoti aprovou, em sessão extraordinária na quinta-feira (10), o reajuste salarial para cargos comissionados, servidores de carreira e professores municipais. Convocada em regime de urgência pelo Executivo, a sessão votou três projetos de lei (PL) que conferem reajuste de 7,54%, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

O que está causando polêmica na comunidade é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado ontem foi de 3,75%. O índice que mediu a inflação de 2018 é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e considerado o medidor oficial no país. Ou seja, os servidores do município obtiveram mais que o dobro de aumento em relação à inflação do último ano.

O PL referente ao aumento salarial do poder executivo e dos cargos comissionados recebeu uma emenda da Mesa Diretora da Câmara, que excluiu os reajustes da prefeita Nerilda Penna, mas manteve para os servidores comissionados.

De acordo com o Portal da Transparência do município, o salário bruto da chefe do Executivo em 2018 foi de R$ 18.609,47. Sem o aumento, no ano de 2019, a economia será de R$ 16,837,80. Mas, ainda assim, o impacto será milionário. A variação anual do reajuste dos servidores efetivos, comissionados e agentes políticos, segundo o PL disponível no site da Câmara de Vereadores, seria de R$ 2.076.020,13. Excluindo o reajuste da prefeita, o impacto anual será de R$ 2.059.182,33.

No caso do magistério municipal, o reajuste de 7,54% vai aumentar em R$ 696.173,50 o custo anual dos pagamentos, que terá valor total de R$ 9.929.243,79, conforme a planilha acessada no site do Legislativo.

Sessão

A emenda que excluiu a chefe do executivo dos reajustes foi votada nominalmente e recebeu votos contrários dos vereadores Jean Carlos Klichowski (MBD) e Victor Brondani (PDT). Para Jean, o aumento para o executivo e cargos comissionados significa um desrespeito à população. O vereador questionou ainda a escolha do índice. “Nós teríamos outros índices, como o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor]”, apontou.

Em entrevista, a prefeita Nerilda Penna afirmou que a utilização do IGP-M é melhor para os servidores. “Quando a comissão jurídica apresentou os índices, eu sugeri que fosse usado o menor, para gerar menos impacto econômico. Mas o melhor para o servidor é o reajuste mais alto”, alega.

Os vereadores favoráveis ao reajuste dos comissionados afirmaram que é justo que esses servidores recebam o salário de acordo com a inflação. “O servidor público, tanto faz se concursado ou contratado, tem direito ao reajuste”, afirmou o vereador Zildinei Ferreira (PSC). Além dele, os vereadores Divair da Silva (PV), Nelson de Aguiar (PSDB), Ricardo Pedroso (PPS) e Sílvio Lopes (PP) votaram a favor da emenda que impediu o reajuste ao salário da prefeita, mas garantiu aos comissionados.

Em seguida, a Câmara votou o projeto com a emenda. Desta vez a votação não foi nominal, e o PL foi aprovado por cinco votos a dois. Os projetos que concederam reajuste aos servidores e aos professores municipais, também de 7,54%, foram aprovados por unanimidade.

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