Santo Antônio da Platina

Beneficiários de moradias que nunca foram concluídas seguem sem respostas

 “Donos” das casas do Conjunto João Furtado viram o sonho da casa própria se tornar pesadelo com obras paradas há sete anos

Casas começaram a ser construídas em 2012, mas obras nunca foram concluídas
CRÉDITO: ANTÔNIO DE PICOLLI

Da Redação 


Os beneficiários das 50 casas populares que deveriam compor o Conjunto Habitacional João Furtado, cujo obras estão abandonadas há cerca de sete anos, seguem sem ter respostas sobre quando ou qual será o desfecho da situação. Os “donos” dos imóveis reclamam da falta de diálogo com a prefeitura de Santo Antônio da Platina e da consequente falta de informações, além, claro de toda dor de cabeça que a história tem causado.

De acordo com relatos de uma das beneficiárias, já há algum tempo eles não são recebidos por nenhum representante da prefeitura. “Eles não falam nada. Começaram construir faz anos, mas abandonaram. Já trocou de prefeito duas vezes, vimos um monte de promessa, mas até hoje ninguém resolveu nada. E agora para ajudar não recebem mais a gente, não falam nada, e a gente fica mais perdido do que já estava”, reclama um moradora que pediu anonimato. 

As casas começaram a ser construídas em 2012 e com previsão de entrega para o ano seguinte. Entretanto, a empreiteira que venceu a licitação para construir as unidades habitacionais acabou abandonando as obras, que não têm sequer infraestrutura básica. 

Algumas portas e janelas que chegaram a ser instaladas na época foram furtadas. As paredes que foram erguidas já sofrem com a ação do tempo e de vândalos. Não há telhados ou sistemas de saneamento básico ou energia elétrica. 

“Eu já podia estar morando na minha casa há quantos anos, mas continuo pagando aluguel, sofrendo todo mês sendo que a casa que era para ser minha está lá, abandonada, e eu não posso nem terminar por minha conta. É um absurdo, só acontece com pobre, porque se fosse obra para rico já tinha terminado”, continua a moradora. 

Os 50 beneficiários, além da decepção, ainda não podem fazer parte de outros programas habitacionais porque já foram contemplados com essas casas. Revoltados, ingressaram com uma ação conjunta na Justiça com o apoio do Ministério Público Federal contra a prefeitura de Santo Antônio da Platina cobrando a conclusão das casas e uma indenização. 

OUTRO LADO

De acordo com o secretário municipal de Assistência Social de Santo Antônio da Platina, Cristiano Benedito Lauro, o principal entrave para a continuidade das obras está no agente financeiro que seria o responsável pela construção. 

“Primeiro tivemos o problema da empreiteira abandonar a obra. Depois o Banco Cobansa, que é uma companhia hipotecária e agente financeiro desse projeto, paralisou tudo porque alegava que com o impeachment da presidente Dilma não tinha mais uma portaria para validar o projeto, no caso o Minha Casa, Minha Vida ll. Quando o novo governo fez uma nova portaria, aí o banco cobrou do ministério novos valores porque alegava que os preços já eram diferentes e precisava de um aditivo. Pelo que nos foi passado eles já receberam 90% do valor original para construção das casas, e tudo que é parte da prefeitura está feito. A questão é realmente com eles, tanto que está na Justiça Federal e mesmo assim segue sem resposta. No fim do ano passado eles entraram em contato com a prefeitura perguntando se teríamos interesse em continuar, e obviamente respondemos que sim. Agora, depende realmente desse banco”, explica Cristiano Lauro. 

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