Paraná

Baixo nível da represa Chavantes ameaça turismo no Norte Pioneiro

Dados sugerem 30% da capacidade do reservatório, mas hidroelétrica diz que nível da água é de 76%

escadores reclamam da estiagem e dizem que a situação da Represa Chavantes se agrava a cada dia
CRÉDITO: Luiz Guilherme Bannwart

Da Redação


O baixo nível das águas na represa Chavantes, especificamente nos municípios de Ribeirão Claro, Carlópolis, Siqueira Campos e Salto do Itararé – Norte Pioneiro paranaense, já ameaça o turismo regional e causa grande preocupação entre gestores e empresários do segmento. Segundo informações obtidas pela reportagem, o nível das águas da represa estaria em aproximadamente 30% da capacidade normal. Os números, no entanto, são contestados pela CTG Brasil, empresa que administra a hidroelétrica e garante volume de 76% de água no reservatório. 

A informação da CTG Brasil é rebatida pelo prefeito de Ribeirão Claro, Mario Augusto Pereira (PSC), que faz duras críticas à situação vigente. “Não se pode deixar chegar ao nível que chegou a represa. Isso é um absurdo! Não há 76% de água no reservatório em hipótese alguma, ocorre exatamente o contrário, pois a represa está visivelmente baixa e isso traz uma preocupação muito grande porque o turismo é peça fundamental na nossa economia. Com a represa desse jeito o turismo é muito afetado e todos nós consequentemente. Desde prefeitos, empresários e moradores, estamos todos muito preocupados e algo precisa ser feito”, assinala Pereira.

O prefeito disse que participou na semana passada de uma reunião entre gestores de outros municípios e representantes de uma empresa terceirizada da CTG Brasil e que o encontro foi tenso. “Principalmente os prefeitos do Estado de São Paulo estão bastante revoltados, e com razão. Foi uma reunião pesada, com conversas duras. Agora não sei até onde isso resolve, porque já enviei dois ofícios e sequer responderam, então não sei o quanto uma reunião com uma empresa terceirizada vai resolver. A nossa parte de cobrar, inclusive no âmbito dos governos estadual e federal nós estamos fazendo, porque isso não pode continuar como está. Os prejuízos já são sentidos e sem solução só vão aumentar”, conclui. 

Embora com um discurso mais moderado, o prefeito de Carlópolis, Hiroshi Kubo (PSDB), também reclama da situação e se mostra pessimista com relação a medidas imediatas. “Não vejo solução a curto prazo porque se trata de uma situação que depende das chuvas e de ações que envolvem o governo federal, que é quem fiscaliza todas as hidrelétricas do Brasil. Só teremos melhorias com políticas para uso de outros tipos de energias. Se temos um problema nacional e as hidrelétricas precisam produzir energia para suprir outros locais que estão com seca ainda maior, já está na hora de se rever a produção de energia, mas como eu disse é uma situação a nível de governo federal. Da nossa parte, desde o começo da gestão temos pressionado junto com outros prefeitos a CTG Brasil para que isso não aconteça, porque afeta muito o turismo e a agricultura também”, pondera o tucano.  

Por meio de nota, a CTG Brasil esclarece que tem a operação de suas usinas coordenada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conforme os procedimentos aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), tanto no que se refere à produção de energia, quanto ao controle do nível dos reservatórios. Essa operação leva em consideração diversos fatores, como o uso múltiplo do reservatório e os níveis dos demais reservatórios do País.

Na terça-feira (15), segundo a CTG Brasil, o nível do reservatório da Usina Chavantes se encontrava operando na cota de 468,20 msnm (metros sobre o nível do mar), correspondente ao volume útil armazenado de 30,5% (para fins de geração de energia) e de 76% da capacidade total de armazenamento do reservatório.

A empresa observa que o cenário severo de escassez de chuvas evidenciado em 2019, com condições hidrometeorológicas desfavoráveis e precipitações abaixo da média, tem impactado o nível dos reservatórios de diversas usinas do País, em diferentes regiões, incluindo as usinas do Rio Paranapanema, conforme exposto no último dia 11 na reunião da Sala de Situação do Rio Paranapanema, coordenada pela Agência Nacional de Águas (ANA) com participação do ONS e demais agentes, incluindo a CTG Brasil. A Sala de Situação do Rio Paranapanema foi instituída pela ANA para compartilhar, entre os diversos agentes, informações e tomadas de decisões relacionadas ao uso múltiplo dos reservatórios, à manutenção do equilíbrio no armazenamento entre todos os reservatórios e ao atendimento da demanda de energia elétrica consumida no Brasil. A participação da Sala de Situação é pública.

A CTG Brasil conclui salientando que embora haja consequências para alguns usos do reservatório, a operação da Usina Chavantes está dentro dos níveis autorizados pelos órgãos fiscalizadores.

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