Política

Após decisão do STF, Bolsonaro cancela nomeação de Ramagem para direção da PF

Bolsonaro: recuo acontece após STF ter suspendido nomeação (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Redação Bem Paraná com informações do Estadão


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou hoje decredo anulando a nomeação do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para a direção-geral da Polícia Federal. A iniciativa ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, suspender a troca de comando da PF em decisão liminar. O decreto foi publicado no início da tarde no Diário Oficial da União com a assinatura do presidente.

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu o decreto de nomeação de Ramagem para a chefia da PF em ação apresentada pelo PDT, que acusava o Planalto de abuso de desvio de finalidade. No mandado de segurança, o partido questionava a ligação de Ramagem com a família de Bolsonaro e a possibilidade de interferência do presidente da República na Polícia Federal.A posse estava marcada para às 15 horas de hoje. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que está ‘avaliando procedimentos cabíveis’ sobre a decisão do STF.

De acordo com Moraes, as declarações do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro sobre tentativa de interferências na autonomia da corporação, a divulgação de mensagens trocadas com o ex-ministro e a abertura do inquérito no próprio Supremo para investigar as acusações motivam a necessidade de impedir a posse de Ramagem. Segundo Alexandre de Moraes, o caso apresenta ‘ocorrência de desvio de finalidade’.

“Apresenta-se viável a ocorrência de desvio de finalidade do ato presidencial de nomeação do Diretor da Polícia Federal, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público”, afirma Moraes. O ministro do Supremo pontuou que a Polícia Federal não é ‘órgão de inteligência da Presidência da República’.

De acordo com Moraes, cabe ao Supremo o ‘dever de analisar se determinada nomeação, no exercício do poder discrionário do Presidente da República, está vinculada ao império constitucional’, pois o ato de nomeação’deve ser feito legal, moral e impessoalmente’ pelo governo federal. O ministro destacou que, no caso específico, Bolsonaro não apenas deixou de rebater Moro, como confirmou as alegações do ex-ministro.

“Essas alegações foram confirmadas, no mesmo dia, pelo próprio Presidente da República, também em entrevista coletiva, ao afirmar que, por não possuir informações da Polícia Federal, precisaria ‘todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas’”, escreveu Alexandre.

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