Policial

Adolescente apontado como 3º suspeito de massacre em Suzano se apresenta à polícia

Acompanhado da mãe, jovem de 17 anos se apresentou no Fórum da cidade da Grande SP

Guilherme Taucci de Monteiro, 17, posta fotos com arma antes de ataque a tiros em Suzano – Reprodução/Facebook

Thaiza Pauluze – Folha -de-São-Paulo


O terceiro suspeito de participar do planejamento do ataque a tiros na escola Raul Brasil se apresentou ao Fórum de Suzano (Grande SP) por voltadas 11h desta sexta-feira (15). Antes, ele fez exames de corpo delito no Instituto Médico Legal.

Este era o prazo dado pela Vara da Infância e da Juventude, que determinou a apreensão do jovem de 17 anos na noite de quinta (14). Ele chegou ao local em um carro da polícia, acompanhado da mãe. Ele também é ex-aluno da escola e estudou na sala de Guilherme Taucci Monteiro, 17, que segundo a polícia, liderou o massacre, que deixou 8 mortos, na quarta (13).

Em virtude do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o processo que vai apurar a participação do adolescente corre em segredo de justiça. A participação deste terceiro envolvido teria ocorrido no planejamento da ação, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes. O dono do estacionamento onde Guilherme Taucci e Luiz Henrique de Castro, 25,  guardaram o carro usado no ataque, teria informado à polícia a participação de uma terceira pessoa.

Ruy Fontes também disse em coletiva à imprensa nesta quinta (14) que a polícia pediu à Justiça a apreensão do adolescente. “Nós temos dados que nos fazem crer que esse indivíduo participou, pelo menos, da fase de planejamento”,afirmou.

INVESTIGAÇÕES

A investigação chegou até o terceiro suspeito por indicação de colegas de classe, que afirmaram que ele e Guilherme eram muito próximos e, dias antes do massacre, o suspeito havia manifestado o desejo de entrar na escola Raul Brasil atirando.

Os policiais acreditam que o plano seria executado pelos dois, mas, por Guilherme Taucci de Monteiro,17, postar fotos com arma antes de ataque a tiros em Suzano motivos ainda desconhecidos, o adolescente acabou excluído da ação. Isso também revela que Guilherme seria o líder.

Fontes disse que a investigação vai tentar descobrir, agora, porque o novo suspeito não participou do ataque. Os policiais acreditam que Guilherme, já sem o comparsa, teria procurado Luiz Henrique para que este pudesse financiar o plano. Como tinha emprego regular, ele teria recursos para comprar as armas e alugar o veículo usado no dia dos assassinatos.

A polícia também apura se o mais velho tinha algum déficit cognitivo. “A gente entende que a personalidade dele não era tão firme aponto de impedir ou deixar de ingressar na execução de um crime esse, principalmente liderado por uma pessoa que era pelo menos sete anos mais novado que ele.”Segundo o delegado, os assassinos se inspiraram no massacre de Columbine, ocorrido em 1999, nos Estados Unidos, mas queriam ser ainda mais cruéis.

“Eles queriam demonstrar que podiam agir como aconteceu em Columbine com crueldade e com caráter trágico, para que eles fossem mais reconhecidos do que aqueles”, disse Fontes.

A dupla usou um revólver, carregadores, uma besta (arma medieval), um machado, uma machadinha, coquetéis molotov e granadas de fumaça.As roupas usadas seriam inspiradas no jogo de videogame Call of Duty, episódio Ghosts, um jogo de tiro em primeira pessoa.

O crime ocorreu em meio ao debate sobre posse de armas e chama a atenção por ter sido cometido em dupla e longamente planejado.

Na quarta, o presidente Jair Bolsonaro lamentou o atentado seis horas após o ocorrido. Nesta quinta, em transmissão pela internet, disse que o atentado era uma barbaridade e que não é possível entender como os criminosos chegara mão ponto de terem cometido o crime.

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