Santo Antônio da Platina

Abandonadas há cinco anos casas viram “cidade fantasma”

Moradias populares começaram a ser construídas em 2014 e até hoje não foram entregues aos beneficiários

Árvore no interior de uma das casas em construção retrata o descaso do poder público com o problema
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Lucas Aleixo


Se há um tipo de obra que boa parte da população de qualquer município costuma esperar com expectativa é a construção de casas populares. Em Santo Antônio da Platina não é diferente, mas neste caso o sonho da casa própria virou frustração e pesadelo após as obras de 50 moradias estarem paralisadas há cinco anos.

As casas em questão estavam sendo construídas no Conjunto Doutor Jamidas desde 2014 e, originalmente, projetava-se a conclusão até 2016. Entretanto, a empreiteira responsável pela obra abandonou o empreendimento e nunca concluiu as moradias.

Semana passada o assunto voltou a ganhar força no município, quando a justiça determinou a retirada de famílias que vivem em área considerada de risco no Morro do Sabão. Com a eminente saída dos locais onde vivem, alguns dos moradores afetados pela medida sugeriram a utilização das casas populares abandonadas, porém foram informados que a reivindicação não poderia ser atendida por questões legais.

Todas as famílias retiradas do Morro do Sabão irão alugar casas, que terão o aluguel integralmente custeado pela prefeitura de Santo Antônio da Platina. A mudança deve ocorrer em agosto e o município tem por obrigação legal isolar a área de risco para garantir que não aconteçam novas invasões.

Para os moradores, a cessão dos imóveis com a construção paralisada representaria a segurança da casa própria sem a necessidade de depender do aluguel social da prefeitura.

Construções estão sendo depredadas e utilizadas como mocó por usuários de droga
CRÉDITO: Antônio de Picolli

A reportagem da Tribuna do Vale tentou contato com a prefeitura de Santo Antônio da Platina para esclarecimentos sobre quais ações serão tomadas para que as casas possam ser concluídas. Foram contatados o chefe de gabinete da prefeitura, Benedito Vieira Miranda Neto, o Ditinho, o secretário municipal de Assistência Social, Cristiano Benedito Lauro, o secretário municipal de planejamento, Aírton Diniz, e o prefeito José da Silva Coelho Neto, o Professor Zezão (PHS), porém nenhum dos citados atendeu ou retornou as ligações.

Um caso similar aconteceu em Ibaiti também na mesma época, porém, com a maior parte das casas em uma fase mais avançada da obra, os moradores acabaram invadindo as moradias inacabadas. Posteriormente houve um acordo entre a prefeitura e os invasores para que a situação fosse legalizada e ninguém precisasse deixar as residências.

“CIDADE FANTASMA”

Quem visita as casas populares inacabadas vê um aspecto de “cidade fantasma”. As moradias não têm telhado ou ligações de água e luz. Algumas das portas, janelas e batentes que chegaram a ser colocados antes do abandono da obra já foram furtadas.

Em uma das construções uma árvore cresceu no espaço onde seria um banheiro e dá o tom exato do total abandono por parte do poder público.

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