Santo Antônio da Platina

A única reportagem que jamais pensei publicar


Estava me preparando para o almoço, neste domingo (12), quando recebi a inusitada visita do repórter Juninho Queiroz, da Difusora FM.

Achei que era brincadeira de mau gosto, mas logo percebi ser verdade. Meu filho Andrei, o menino maluquinho, que me deu tantas dores de cabeça, mas tinha no coração uma usina de amor, estava morto, aguardando ser reconhecido numa unidade do IML de Curitiba.

Veio com uma conversa esquisita, mas não aguentou e disparou: olha, recebi agora a informação que seu filho Andrei morreu nesta madrugada, num suposto confronto com a Polícia Militar, em Curitiba.

As informações divulgadas até agora pela PM indicam que Andrei Gustavo Orsini Francisquini, de 35 anos, teria fugido de uma abordagem policial e que teria gerado a reação  da polícia.

Pelo que conheço de meu filho, tinha aversão a armas e qualquer tipo de violência. Fica difícil acreditar que meu menino sacasse de uma pistola e reagisse contra vários policiais.

Sinceramente, antevejo mais um desses casos sem solução. As câmeras nunca funcionam, as perícias nunca terminam e tudo acaba no esquecimento, num país acostumado com a impunidade.

Como pai, me sinto estraçalhado. Ele estava afastado de mim há algum tempo, por divergência pessoais, mas volta e meia deixa uma mensagem dizendo que me amava!

Sinceramente, não sei como vai ser minha vida a partir de agora!

Benedito Francisquini

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