Política

A esquerda ressuscita pelas mãos da direita

Luiz Fernando da Silva*


A medíocre guerra declarada pelo governo à operação lava jato, se mostra totalmente descabida e acarretará em enorme prejuízo a todos os brasileiros. Os únicos que se mostram agradados pela atuação são os corruptos, com grande torcida de sucesso da empreitada pelo PT.

Hoje o Partido dos Trabalhadores se utiliza do discurso, também perpetrado por parte do governo, quanto a parcialidade do ex Juiz Sergio Moro. Situação que ocorre por conveniência política, mas não pela atuação do Magistrado, a qual, pela inocorrência de reforma de suas sentenças, se mostraram sempre corretas. O governo tece tais comentários para tentar frear a popularidade de Sergio Moro, possível concorrente do atual presidente nas próximas eleições, porém se esquece que a atuação da maneira que ocorre segue o discurso do partido do ex presidente Lula, gerando, a esse e a seus aliados, margem para contestar as investigações e condenações no âmbito da lava jato.

O jogo político está ocorrendo de forma errada, e pode estar sendo influenciada por pessoas estrategicamente, e indevidamente, escolhidos. O atual ministro da Justiça, André Mendonça, aliado fiel de Dias Toffoli, ambos com estreitas ligações com o PT, bem como o procurador geral da republica Augusto Aras, Petista de carteirinha, pelo que se vê, norteiam a busca da derrocada da maior operação de combate a corrupção ocorrido no Brasil. Aliás a comemoração Petista, pela escolha de Aras como Procurador Geral da República, foi detalhada em reportagem de 13/09/2019, onde o repórter Guilherme Amado expressa de forma clara tal feito.[1]

O problema nisso tudo, que não está sendo observado pelo governo, é que a derrocada da lava jato, além do golpe em toda a população, que poderá colocar a popularidade ainda mais em baixa, poderá levantar a moral do Partido dos Trabalhadores. A atuação junto ao STF, para a liberação de seu maior membro, Lula, terá força, eis que as afirmações hoje impostas pelo Procurador Geral de Republica Augusto Aras, servirá de base para, no mínimo, suspender momentaneamente as condenações, o que não tem previsão legal, mas vindo do STF pode se esperar tudo, como o exemplo dado ontem com a exclusão da delação do companheiro Palocci do processo envolvendo Lula.

No cenário político o atual presidente e Sergio Moro dividem, basicamente, o mesmo eleitorado, a esquerda alcançou na última eleição, cerca de 47 milhões de votos, situação que a ela pode ser melhorada com o enfraquecimento da lava jato. A aprovação de Bolsonaro vem recuando, parte do eleitorado deste foi conquistado pelo apoio velado de Sergio Moro, o qual, a princípio arrasta pra si tais eleitores. Com isso concluímos que a atuação do governo ao enfraquecer, escancaradamente, a lava jato, em nenhum momento o beneficia. Ao contrário disso, quando em campanha sempre afirmou que a fortaleceria. Atuando desta forma o governo beneficia de forma direta e clara a esquerda, a qual virá forte para as próximas eleições, podendo inclusive dizer que nunca atuou de forma a impedir investigações, o que efetivamente hoje ocorre.

O golpe na lava jato está ocorrendo de forma sistêmica e obscura, não se sabe os fundamentos e seus efetivos mandantes, porém asseguro que o governo está sendo enganado pelos interlocutores e o preço a pagar será muito alto.

*O autor é advogado militante na comarca de Joaquim Távora onde participa no escritório COS – Advogados Associados

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