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A doação de órgãos salva vidas

Aval da família tem um papel preponderante, pois um único doador pode salvar a vida de pelo menos 10 pessoas

Da Assessoria


A decisão das famílias pela doação de órgãos é determinante para redução das listas de espera. O Brasil é o segundo país com maior número de transplantes realizados no mundo, atrás apenas da Espanha. No ano passado, 23.742 transplantes foram realizados, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos).

Porém, a fila de espera ainda é significativa e para que haja maior movimento e sensibilização das famílias de potenciais doadores, no dia 27 de setembro comemora-se o Dia Mundial da Doação de Órgãos. Segundo o Dr. Américo Cuvello, coordenador do Centro de Nefrologia e Diálise do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a família é protagonista para que esse processo seja de fato concretizado. “No transplante de doador falecido, ou seja, com morte encefálica, depois de seis horas que a falência cerebral é atestada, é feito um novo teste clínico para confirmar o diagnóstico. Em seguida, a família é questionada sobre o desejo de doar os órgãos e é orientada sobre o processo”.

De acordo com o Art. 20 da Lei nº 9.175, de 18 de outubro de 2017, “a retirada de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano, após a morte, somente poderá ser realizada com o consentimento livre e esclarecido da família do falecido, consignado de forma expressa em termo específico de autorização”. Portanto, o Dr. Cuvello reforça a importância de avisar esse desejo ainda em vida para a família e relembra que essa informação em documentos como carteira de motorista não é considerada válida para a doação.

A aceitação da família tem impacto direto e determinante na vida de diversos pacientes, pois um único doador pode mudar a vida de pelo menos 10 pessoas que estão na fila de espera. No Brasil, 70% dos transplantes são de doadores falecidos, em sua maior parte em decorrência de morte encefálica, que permite transplantes de coração; de fígado; pâncreas; rim; córnea; multivisceral – fígado, intestino e pâncreas; pulmão e dois de rim. A pele do doador pode ser utilizada na reparação de feridas e em grandes queimaduras e os ossos podem ser enxertados para fixar implantes e próteses de quadril.

Ainda há muito a se fazer para superar as superstições que ainda impedem a aceitação familiar. Em 2017, 42% das famílias consultadas pelo Registro Brasileiro de Transplantes recusaram a doação de órgãos de familiares. Porém, isso não impediu o aumento de doadores efetivos. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam que em 2017 havia 16,6 doadores efetivos para cada 1 milhão de pessoas no país, tendo crescido 14%. Nos últimos oito anos a taxa cresceu 69%.

Esses números podem se tornar ainda mais expressivos nos próximos anos com a conscientização de que se pode doar órgãos em vida. Transplantes de rim, pâncreas (parcialmente), medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue), fígado (apenas parte dele, em torno de 70%) e pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais) podem ser feitos por doadores vivos.

“Existem vários tabus, o mais comum é que o doador pode se prejudicar doando um órgão. Isso não existe se a avaliação médica é criteriosa e precisa. Há vários trabalhos na literatura médica, principalmente em rim, que a doação é extremamente segura. Em estudos de seguimento de 25 anos após a doação de rim a probabilidade de desenvolvimento de um problema renal é igual ao da polução geral. O mais importante é a análise criteriosa e sistemática dos casos”, comenta o Dr. Cuvello.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) se destaca entre as realizações de transplantes de órgãos no mundo. Cerca de 87% são feitos com recursos públicos. Dentre o total realizado em 2017, o de córnea lidera o ranking com 15.212, seguido na ordem pelo de rim (5.929), fígado (2.109), coração (380) e pulmão (112).

O aumento no número de doação de órgãos deve-se em parte ao crescimento exponencial dos recursos governamentais direcionados à essa causa. Em relação ao valor de 2008, o dispêndio em 2017 mais que dobrou, correspondendo a mais de R$ 1 bilhão investidos em capacitação de equipes, estruturação do serviço e redução na lista de espera e na taxa de recusa familiar, segundo dados do portal Governo do Brasil, com informações do Ministério da Saúde.

Medidas como o treinamento de equipes de captação de órgãos e transplantadores, campanhas informativas para conscientização em todo o Brasil, aumento de recursos em tecnologia da informação para unificar listas em regiões diferentes do país para aumentar a demanda de órgãos devem ser priorizados para redução da espera do paciente por um órgão.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com atuação de referência em serviços de alta complexidade e ênfase nas especialidades de oncologia e doenças digestivas, a Instituição completou 120 anos em 2017. Para que os pacientes tenham acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI) – principal agência mundial de acreditação em saúde –, o Hospital conta com um corpo clínico renomado, formado por mais de 3.900 médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país. Sua capacidade total instalada é de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. Desde 2008, atua também na área pública como um dos cinco hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – www.hospitalalemao.org.br

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