Editoriais

A decadência da literatura

“Os best-sellers” estão para a literatura assim como a prostituição está para o amor.”

Ernesto Sabato


Vivemos o momento determinante desse fenômeno de retrocesso civilizatório. Fenecem importantes livrarias que fizeram nossa história. Literaturas dignas do nome são esquecidas. Os “best-sellers” ornamentam as entradas das que remanesceram.

Façamos justiça. Uma minoria ainda se dedica a ler Shakespeare, Dante, Voltaire e seus semelhantes. Sem dúvida, no mínimo transformam-se sob determinados aspectos. Contudo, no reino absolutista da maioria, prevaleciam os “best-sellers”.

Usamos o  verbo no passado porque os “best-sellers” deram lugar à internet e às redes sociais. Pior. O mundo se desagrega sob o vendaval das informações rápidas, das expressões rudimentares de pensamentos nas redes sociais. Expressar sem pensar, sem investigar, é deletério. Pura perda de tempo e correria por um atalho não desbastado, um matagal.

Não se trata de purismo, mas de responsabilidade cultural. A humanidade veio até este ponto graças à sua formidável inteligência, em todos os campos. Aqueles que a cultivaram meditavam, corrigiam-se, buscavam ardentemente os fundamentos de suas proposições. A própria ciência atual não anuncia suas conquistas, por mais que isso seja arrebatador, sem antes testá-las, pelo exame das negações e dos opostos. Sabe-se de sua importância vital à civilização humana.

A circunstância narrada é ainda mais grave no Brasil, que vive profunda crise educacional. Não é necessário exemplificá-la. O importante é considerar que, diversamente do passado, hoje é possível criar educação tem tempo curto, em uma dezena de anos; no passado as reformas educacionais levavam pelo menos um século para dar frutos, do que o Japão é exemplo.

Podemos dar qualidade aos “best sellers” e às redes sociais. Tudo se transforma. E criarmos o futuro com as heranças do passado. Logo, não os demonizemos, mas busquemos à volta ao gosto pela séria literatura, que criavam os grandes personagens da aventura humana desde os primeiros passos da raça humana.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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