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A bicicleta como meio de transporte

Dirceu Cardoso Gonçalves


Chama a atenção o aumento do número de mortes de ciclistas no trânsito da cidade de São Paulo. Saltou de 22 em 2018 para 36 em 2019, uma elevação de 63,6%. Especialistas e usuários atribuem o fenômeno, entre outras coisas, à falta de educação e treinamento do ciclista para conviver com os demais modais de circulação urbana e, também, ao aumento do número de bicicletas empregadas nos serviços de entregas. 

A falta de educação para a convivência pacífica entre ciclistas, motoristas e pedestres é flagrante. O incauto ciclista não se sente na obrigação de cumprir normas de circulação e trafega com sua “bike” na contramão, sobre calçadas e muitas vezes em disputa acintosa do espaço com carros, ônibus, caminhões, motos e pessoas. A relação é caótica e permeada de desentendimentos que chegam a resultar em acidentes e até mortes. A estatística do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito) cita também o aumento das mortes de pedestres e de vítimas fatais em acidentes de caminhão e ônibus entre um ano e o outro. Já as mortes de motociclistas diminuíram e a causa pode estar nas campanhas e fiscalizações a que são submetidos.

Diferente das localidades européias que inspiraram a reintrodução da bicicleta como meio de transporte da população, São Paulo e a maioria das cidades brasileiras de grande e médio porte desenvolveram-se sob a ótica de transportar sua população em veículos motorizados. A bicicleta, por muito tempo, foi considerada veículo do período pré-desenvolvimento industrial e reservado ao lazer, condicionamento físico ou locomoção periférica. Tanto que seu uso é liberado a todos, sem a exigência de habilitação ou conhecimento de regras de circulação. É tudo tão simplório que as autoridades de trânsito têm dificuldade para fiscalizar e punir as infrações cometidas pelos ciclistas.

São Paulo assumiu o risco de incentivar a bicicleta como meio de transporte urbano. Tanto que já possui 310 quilômetros de ciclovias e o Plano Cicloviário lançado pela prefeitura em dezembro último prevê reformá-los e implantar outros 173 quilômetros. Mas não basta delimitar as vias e nelas soltar o ciclista sem qualquer orientação, normas a cumprir e, principalmente, a certeza de que será punido quando desrespeitar as regras estabelecidas. Isso deve valer para São Paulo e todas as localidades que admitiram a bicicleta na sua matriz de transporte.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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