Santo Antônio da Platina

Pandemia deixa municípios com ‘cara de cidades fantasmas’

Moradores assustados com evolução desenfreada da doença evitam deixar suas casas até mesmo para situações essenciais 

Decreto municipal editado na sexta-feira (20) determinou o fechamento do comércio platinense
CRÉDITO: Luiz Guilherme Bannwart

Luiz Guilherme Bannwart


A pandemia global da Covid-19 transformou a rotina da população em várias partes do mundo. O número de pessoas infectadas e de óbitos por conta do coronavírus fez com que os organismos de saúde anunciassem medidas radicais para tentar frear o avanço da doença. Sair de casa, por exemplo, somente em situações extremamente essenciais. 99% do comércio e setores de serviços em várias cidades fecharam suas portas por tempo indeterminado e a decisão apresentou resultado positivo e esperança de solução ao grave problema de saúde. 

Na última sexta-feira (20), a maioria dos municípios do Norte Pioneiro paranense editou decretos determinando o fechamento do comércio para combater o coronavírus, decisão que seria cumprida por todos os municípios do Estado a partir desta segunda-feira (23), após decreto assinado no domingo (22) pelo governador Ratinho Junior pautado pelos mesmos critérios para evitar a propagação da doença, que já contabiliza 60 positivos e 1.518 em investigação no Paraná.

O clima na região é sombrio. Comércio fechado, ruas vazias e muita preocupação em torno do assunto que ainda envolve muita discussão e informações desencontradas e parece longe de ter um ponto final. A sensação é de que realmente os moradores vivem em cidades fantasmas, mas conscientes da importância da medida para evitar um cenário ainda mais grave e assustador.

Exceto supermercados, padarias, açougues, farmácias, postos de combustíveis e serviços essenciais como entrega de água e gás, nada funciona em Santo Antônio da Platina, sob pena de multa fixada em R$ 1,2 mil por funcionário flagrado descumprindo a determinação para combater o coronavírus.

Os supermercados limitaram o número de clientes e estabeleceram horário especial para atendimento a idosos e gestantes a partir desta terça-feira (24). A Rede Molini’s limitou em 50 o número de consumidores em suas unidades para evitar aglomeração de pessoas e abrirá suas portas das 7h às 8hs para atender grupos de pessoas mais vulneráveis à doença.

No setor gastronômico algumas empresas mantêm os serviços, mas apenas por meio de delivery. De acordo com alguns empresários ouvidos pela reportagem, a medida pelo fechamento temporário é necessária, mas pode resultar no encerramento das atividades de restaurantes e, principalmente, lanchonetes. 

“A vida em primeiro lugar! Mas o que farei para sustentar a mim e meus funcionários se a situação perdurar por mais de 15 dias como já se prevê?”, questiona o comerciante Luiz Antônio Souza, dono de uma lanchonete na cidade. “Caso isso se confirme, infelizmente serei obrigado a fechar as portas em definitivo”, conclui.

Polêmica

Ontem (23) o empresário Luís Alberto Pereira Leite, proprietário da Casa do Doce, em Santo Antônio da Platina, foi alvo de duras críticas por conta de um áudio que publicou em um grupo do WhatsApp defendendo a reabertura imediata do comércio em função das consequências drásticas que a medida pode trazer. Na gravação ele diz que “o negócio é trabalhar, tocar o barco, quem ficar doente que trate de quem tá doente”, salientando que a população tem que se cuidar, mas com as portas do comércio abertas e o povo trabalhando.

O empresário sugere ainda na gravação “o início de um movimento para uma grande reviravolta em tudo isso no sentido de que todo mundo abra as portas, as cidades que estão fechando que abra, o Estado que tá fechando que abra, e acabar com essa bagunça desses governantes incompetentes, precipitados, que querem que feche tudo e que todo mundo se arrebente. A Saúde que enfrente que vier pela frente!”.

O empresário foi procurado pela reportagem para comentar o assunto, mas até a publicação da matéria não retornou o contato. 

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