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2019: esperança de um Brasil melhor

João Carlos Marchesan*


Iniciamos  no Brasil, em janeiro, um novo ciclo, com a posse de um novo governo. Para a indústria de transformação brasileira este ciclo que está se encerrando não traz boas recordações. A abertura comercial do governo Collor não resultou em mais competitividade dos bens e serviços brasileiros, e a adesão do governo FHC às teses do “Consenso de Washington” com a abertura financeira e a atração de capitais estrangeiros, via juros altos e consequente câmbio baixo, ajudou a aumentar o processo de desindustrialização.

Como resultado, neste  período, tivemos uma redução, para cerca da metade, do peso da indústria de transformação no PIB, uma perda de participação dos manufaturados nos mercados externos, a reprimarização da economia e uma crescente dependência de commodities. Coincidência ou não, o crescimento médio brasileiro nestas décadas foi consistentemente menor do que o do mundo como um todo.

Esta redução do peso da indústria de transformação no PIB, certamente, tem muito a ver com o crescimento medíocre do país nas quatro últimas décadas mas seu efeito não se resume somente ao baixo crescimento econômico.  Uma indústria menor e menos diversificada aumenta nossa dependência externa de bens e serviços avançados, reduz nossa soberania e enfraquece o papel  do Brasil na economia e política mundiais.

Ainda que, ao longo destes anos, tenhamos obtidos avanços significativos na redução da pobreza e em conquistas sociais, a indústria, que foi acusada de ter vivido de subsídios e até de “bolsa empresário”, não tem o que comemorar ao fim do presente ciclo.

A agenda do governo Jair Bolsonaro, pode, de forma muito simplificada, ser resumida em duas diretivas principais: de um lado um forte aumento da concorrência, via abertura comercial e financeira e via desregulamentação e, de outro lado, uma sensível redução do tamanho do estado, através de privatizações e da limitação de sua capacidade de gastar, com o uso de instrumentos como a lei do teto.

Nos, da indústria, damos as boas vindas a uma ampla desregulamentação, à melhoria do ambiente de negócios, ao aumento da segurança jurídica e a uma crescente concorrência, fatores essenciais num regime capitalista. Entretanto, para que esta concorrência seja saudável, é imprescindível estabelecer, a priori, a isonomia nas condições de competição tanto no mercado interno quanto com relação a nossos concorrentes externos.

Entendemos assim que a abertura será bem vinda desde que o setor financeiro disponibilize crédito abundante a custos assemelhados aos de nossos concorrentes, o governo implemente uma reforma tributária que reduza a carga sobre a indústria e o custo de administrar os impostos e desonere completamente investimentos e exportações além de reduzir a volatilidade do câmbio e dos fluxos de capitais especulativos.

Se o próximo governo for por este caminho, ou seja, da implementação simultânea de uma agenda de competitividade, há fortes razões para esperar não somente uma retomada sustentada do crescimento econômico mas um fortalecimento da indústria com a construção de um parque industrial moderno, sofisticado e diversificado capaz de avançar em direção ao novo paradigma da manufatura avançada.

O Brasil que está, hoje, entre as dez maiores economias mundiais e estará entre as primeiras cinco, em 2050, segundo projeções de consultorias internacionais quer e poderá ser, um ator importante nas relações internacionais. Para tanto é essencial ter uma indústria forte e competitiva capaz de garantir, além de nossas seguranças alimentar e energética, também a segurança militar num mundo que deverá ser multipolar e mais complicado.

A Selic e inflação estão baixas pela primeira vez em décadas e iniciamos uma retomada cíclica, ainda que lenta. O cenário internacional está menos ameaçador, após o início de entendimentos entre os Estados Unidos e a China sobre a guerra comercial, e as notícias de que os juros americanos subirão menos do esperado.

Se o futuro governo fizer a reforma da previdência e a tributária voltaremos a crescer decentemente já nesse ano que se inicia e temos a certeza que voltaremos a criar um ciclo virtuoso de crescimento, com muita esperança de viver um Brasil melhor.

*João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas

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