Opinião

Liberdade de imprensa: garantia da democracia

“Fosse deixado a mim decidir se deveriam ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir este último”. Thomas Jefferson

Fabio Camargo*


Os jornais – como os conhecemos, impressos, entregues de porta em porta, com notícias do dia anterior e que deixam as mãos pretas de tinta ao serem manuseados – estão em inexorável processo de extinção. Ainda assim, são o ícone da liberdade de expressão.

Nasceram antes do rádio, da televisão e da internet. E persistem no mundo digital, apurando, checando e divulgando fatos verdadeiros, numa competição desproporcional com as múltiplas mídias sociais, com suas virtudes e defeitos, verdades e fake news.

Por isso, neste dia em que se comemora a liberdade de imprensa, tenho dois sentimentos: um certo saudosismo dos jornais impressos, que remetem a um tempo nem tão distante em que a vida parecia andar com menos pressa e urgência; e uma persistente ansiedade de saber no minuto seguinte o que acabara de acontecer, que faz parecer que o tempo se exaure mais rapidamente.

A vida pública me ensinou que não há democracia, justiça social, direitos individuais – enfim, o que chamamos de plena liberdade – sem uma imprensa vigilante, profissional, comprometida com valores éticos e, acima de tudo, independente. Não importa se a notícia é boa ou ruim; importa que seja verdadeira e transmitida de forma isenta.

Não podemos prescindir da imprensa. Enquanto as mídias sociais são o terreno da individualidade – onde minha opinião se sobrepõe a dos outros -, a imprensa é a reserva coletiva da razão – coloca os fatos acima das paixões individuais, dos interesses econômicos e das pretensões políticas.

Ainda que possa haver erros, e sempre os há, prefiro a imprensa livre a qualquer controle, sob qualquer pretexto. E isso vale também para as mídias sociais, esse fenômeno com o qual ainda não aprendemos a lidar. Mas como não há liberdade sem responsabilidade, esse mundo desconhecido logo será de nosso pleno domínio.

*Fábio Camargo é presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná

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