Rendimento da poupança é o pior da renda fixa mesmo com Selic em novo patamar

O Tesouro Selic, por exemplo, tem ganho de 2,65%

Capitalist


Apesar da alta da Selic (2,75% ao ano), anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última semana, a nova poupança segue como a opção com menor rentabilidade em todos os cenários: rendimento bruto (1,92%), rendimento líquido (1,93%) e rendimento real (- 2,56%).

Foi o que indicou uma projeção realizada pelo Yubb, buscador de investimentos no país. Na prática, significa que investir na caderneta não apresenta a melhor saída. Confira quais são as aplicações mais rentáveis.

De acordo com a regra da nova poupança, para contas abertas a partir de 2012, o rendimento equivale a 70% da taxa básica de juros (Selic) mais TR (Taxa Referencial), atualmente zerada. Desta forma, a nova poupança renderá 1,92% ao ano – índice abaixo da inflação, o que indica uma “desvalorização” do dinheiro guardado na caderneta, já que o valor empregado não aumentou tanto quanto os preços.

“Mas ainda é melhor do que não deixar o dinheiro parado na conta ou gastar sem se prevenir contra os contratempos da economia e lentidão na vacinação, o que impede que as atividades sociais e o mercado funcionem normalmente”, avalia o economista e professor do Ibmec RJ Gilberto Braga.

Com rendimentos líquido e bruto a 6,16%, apenas a poupança antiga, com depósitos feitos até maio de 2012, mostra índice de rentabilidade acima da inflação. No entanto, possui 1,49% de lucro real, ainda segundo a simulação.

O Tesouro Selic, por exemplo, tem ganho de 2,65%, 2,12% e -2,37% nos três panoramas (bruto, líquido e real). Enquanto o CDB banco médio contabiliza, de acordo com a estimativa, 3,45%, 2,76%, -1,76%, respectivamente. Já o CDB banco grande tem 2,12%, 1,70% e -2,78% de rendimentos bruto, líquido e real.

Investimentos - Quanto investir

Outras aplicações

Investimento/ Rendimentos bruto/ líquido/ real

LC 3,71%/ 2,97%/ -1,56%

LCA 2,60%/ 2,60%/ -1,91%

LCI 2,70%/ 2,70%/ -1,82%

RDB 3,60%/ 2,88%/ -1,64%

Debênture Incentivada 4,00%/ 4,00%/ -0,57%

Opções para investir

Para Luiz Fernando Carvalho, estrategista da Ativa Investimentos, as melhores aplicações para renda fixa são os indexados a taxas flutuantes: “À medida que a Selic sobe, os investimentos atrelados a juros também sobem. Investimentos em renda fixa, quando a taxa é flutuante, como, por exemplo, CDI ou IPCA, acompanham a taxa e são uma boa opção”, indica.

“Se formos comparar dois investimentos com taxas flutuantes, CDI mais 3% ou IPCA mais 3%, por exemplo, eu ficaria com a segunda opção porque, no momento, a inflação está andando mais rápido do que a correção dos juros”, orienta Carvalho.

O investidor deve “fugir” de quais investimentos no cenário atual? O especialista pondera que “o primeiro ponto é evitar produtos de risco elevado e, em segundo, verificar a taxa de remuneração do investimento. Em momentos de reajustes das condições de mercado e de ambiente de maior risco financeiro, o mais importante é preservar o valor do capital investido do que buscarmos taxas elevadas de remuneração”, ensina.

Na avaliação de Gilberto Braga, com a subida dos juros, o Tesouro Direto, na modalidade IPCA volta a ser atraente, “porque garante a remuneração da inflação mais um ganho de juros. Deve-se evitar, para quem investe procurando segurança, os ativos chamados de renda variável, como a bolsa de valores, em que você pode ganhar muito ou até perder tudo”, explica Braga.