Comerciantes relatam o drama vivido com as restrições para funcionamento

“A cidade está deserta, entristecida, mas sabemos que existem muitas festas acontecendo por aí”, afirmou Toninho da Ella Cosméticos

Da Assessoria


Com apenas 5 dias da fase emergencial da quarentena, empresas do comércio de Ourinhos agonizam com acesso reduzido de público, queda vertiginosa nas vendas, preocupação com demissões e a falta de perspectiva palpável de que a situação poderá melhorar após o dia 30 de março, prazo estabelecido pelo governador João Dória para o maior arroxo das restrições desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Marcos Jorge Pereira

“Vejo com bastante apreensão o que estamos passando. A todo momento, tentam criminalizar o comerciante. Lá atrás já fomos chamados de ´bandidos` e ´sonegadores´, agora somos taxados de disseminadores do coronavírus também. Eu acho que um dos locais mais seguros hoje é dentro da minha loja, tenho 200 metros com 3 funcionários, antes eram 8, atendendo um, dois, três clientes por dia. O lugar que menos contribuiu para isso tudo aí foi o comércio”, relata o empresário do ramo de confecções, Marcos Jorge Pereira. Para o comerciante, que faz a gestão de várias lojas, como a tradicional marca Contramão, além de uma indústria, o comércio está pagando um alto preço pela irresponsabilida de de outros focos de contaminação na cidade. E revela: “Antes da pandemia eu tinha uma média de 60 funcionários nas lojas e mais uns 100 na indústria e hoje estou com 28 nas lojas. Continuando assim, com certeza, vamos ter que dispensar mais um pouco”, contou Marcos.

Antonio de Paula Trevisan Filho

Na mesma linha, o proprietário da rede de lojas Ella Cosméticos, Antonio de Paula Trevisan Filho, lamenta também a atual situação do comércio. “Para nós está sendo complicado porque o comércio vive de vendas. É das vendas que o empresário tira o salário de seus funcionários. É das vendas que ele paga o aluguel. Enfim, é das vendas que ele vive. O empresário não tem fábrica de dinheiro. Até certo ponto, ele tem alguma reserva, mas depois de algum tempo ele tem que realmente usar aquilo que provém da sua atividade para manter suas operações”, desabafa o comerciante.

Para Toninho, como é mais conhecido, essa crise em torno do novo coronavírus foi polarizada e uma parte dela é política. “O lockdown não tem comprovação científica, ao meu ver estamos pagando uma conta que não é nossa. As infecções não estão no comércio, está comprovado. Já fizemos testes recentemente, de 2 mil testes deram 15 infectados. O comércio está seguindo todas as precauções necessárias, mas acontece que, infelizmente, nós temos um governador de Estado que polarizou sua briga política com o presidente da República. Agora já não está disputando mais nada, porque na realidade não tem mais espaço para ele com o surgimento do Lula. Ent&atild e;o, estamos aí pagando uma conta que não é nossa. Tem sido penoso pra nós. Essas vendas delivery, drive thru, não chegam a 10% das vendas normais das lojas. É uma situação preocupante. Estamos com as portas praticamente fechadas. Não sabemos o que vai acontecer, como vamos pagar o salário dos funcionários no mês que vem. Os aluguéis estão aí para ser pagos. E todo mundo está se virando como pode. O empresário está enxugando tudo o que ele pode enxugar”, opina o comerciante.

De acordo com Toninho, as consequências desse quadro serão graves. “As demissões estão acontecendo e vão acontecer, não tem outro caminho. Não tem como você manter funcionários, sendo que o faturamento não acontece. Os clientes não entram na loja. E depois de tudo isso vai vir, realmente, uma consequência muito grave. As coisas não vão melhorar, esse ano vai ser outro ano perdido, praticamente. Não é ser pessimista, mas pelo andar da carruagem a vacinação só vai se concretizar talvez em agosto ou setembro, ou talvez nem isso. E com isso gera uma insegurança de várias coisas, inclusive de gastar, porque também muitas perderam o emprego. Então, nós temos uma situação bem perto do caos”, acredita.

Rosemara Fávaro

Rosemara Fávaro, proprietária da loja Metropolitan e da franquia Hering, avalia que o momento é muito difícil e com muita política no meio. “Você não consegue mais acreditar no que está certo, no que você pode confiar, o que é verdadeiro ou falso. A política está muito forte no meio. Em Ourinhos, graças a Deus, o Lucas ainda está permitindo que a gente fique com meia porta, porque é melhor pingar do que secar, mas eu acho que a respeito de saúde a gente tem que começar a prevenir. Até Jacarezinho tomou essa atitude e uma outra cidade de Minas que não recordo o nome, começando o tratamento nos primeiros sintomas, não esperando o resultado do exame quando a pessoa já estiver no meio da sua contamina&cced il;ão”, pontuou a empresária.

“Em relação ao comércio, está muito difícil, muito difícil. O terrorismo, a tortura psicológica está muito grande. Eu sei que o momento é grave. Acho, sim, que tem que ficar em casa, que todo mundo tem que se cuidar, sim, mas, eu não sei se daqui a pouco quem vai sobreviver, se vai ser o ser humano ou se serão as lojas, o comércio de maneira geral, porque um depende do outro. Nesse um ano de pandemia estamos piores que no início e nada foi providenciado a mais pensando nisso, um cuidado a mais, uma prevenção disso, um aumento de leitos. Tivemos um aumento de 5 leitos na Santa Casa, sim, mas, pelo o que está previsto e pelo o que foi lá fora é muito pouco. Eu acho que deveria chegar até o ouvido do Lucas, sim, essa hist&o acute;ria de prevenção, no início de tudo. E tentar agilizar esses exames, esses testes de Covid, pra começar a cortar mais cedo. Restrição, lockdown, eu acho que tem que ter, sim, mas eu acho que o Covid não está no comércio. Eu acho que o comércio poderia funcionar normal, a noite sim ter o toque de recolher, porque é a única maneira de cortar as festas. Eu acho que onde está se agravando mais é nessas festas, essas aglomerações. Tenho vários amigos que já andaram fechando lojas, participo de grupos da franquia Hering, vários franqueados já fecharam suas lojas, tá muito complicado. Eu acho que consigo ver uma luz no fim do túnel no meio do ano que vem”, comenta Rosemara.

A empresária, apesar do cenário trágico, acredita na capacidade dos empreendedores. “Apesar de tudo, o comerciante, o empresário, não pode parar. A gente tem que viver um dia por vez, sempre tentando inovar. Jamais vai ser a mesma coisa de antes da pandemia, métodos de venda, etc. A gente está no mundo digital, na era digital, o que está muito forte é isso. Então, a gente está se mexendo muito em relação a tudo isso”, sugere.

Outra empresária, do ramo de joias, Patrícia Costanza, afirma que está realmente muito parado o comércio de maneira geral, porém, as características do seu negócio não dependem muito da abertura de portas pois já está acostumada a atendimentos agendados e por meios digitais. “Lógico que caiu muito o movimento, caiu muito mesmo, não é como 2019, nem como 2020 que não estava do jeito que estamos vivendo hoje. Estamos no mês de março e o movimento está horrível, embora quando minhas clientes realmente desejam comprar elas ligam, e já estamos aqui para atendimentos fechados mesmo. Eu acho que o comércio da cidade não é a causa maior. O problema são lojas de departamento, que ficam mais expostas, e aglomeração de uma forma geral, tem que tomar muito cuidado, não atender muita gente ao mesmo tempo”, ponderou Patrícia.