Outro empresário platinense é preso em Mato Grosso do Sul

Silvio Alves e o irmão Osvaldo Alves, proprietários do Grupo 2 Irmãos, estão sendo investigados por supostas fraudes fiscais

Da Redação com Campo Grande News

Vista aérea da fazenda do empresário Silvio Aparecido Alves, no Pantanal do Mato Gosso do Sul, onde foi preso (Crédito: PCMS)

O empresário Silvio Aparecido Alves, 60 anos, diretor do grupo empresarias 2 Irmãos, que tem sede em Santo Antônio da Platina, foi preso temporariamente em sua fazenda localizada na cidade de Ladário, pantanal do mato Grosso do Sul.

Horas antes seu irmão e sócio, Osvaldo Alves, o Osvaldinho, como é mais conhecido, havia sido preso em Carlópolis, em operação desencadeada pela Polícia Civil, juntamente coma as receitas Estadual e federal, que investigam supostas fraudes ficais envolvendo os platinenses e outros empresários do ramo de compra e industrialização de café.

Segundo o Portal Campo Grande News, da capital sul-mato-grossense, a Silvio ocorreu em sua fazenda no Pantanal no dia da deflagração da operação Expresso, que mira esquema bilionário no Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Espírito do Santo.

Segundo o jornal apurou, a prisão do empresário Silvio Aparecido Alves, é temporária, com validade de cinco dias, e exigiu uma ação às pressas em MS. A Polícia Civil de Ladário foi acionada por policiais do Paraná nas primeiras horas da terça-feira (dia 16). Ele era um dos principais alvos.

“Começamos a fazer diligências para localização e descobrimos que possivelmente estaria na fazenda. Por volta das 8h30, usamos um drone para mapear o local. Foi bastante útil porque a área é bem extensa”, afirmou ao Campo Grande News o delegado Luca Venditto Basso.

A fazenda fica a 40 quilômetros da área urbana de Ladário, localizada a 419 km de Campo Grande. O imóvel rural, na região da Apa Baía Negra, é destinado à pecuária. O empresário foi preso perto do mangueiro.

Na delegacia da Polícia Civil de Ladário, ele foi ouvido pelo delegado por meio de carta precatória e encaminhado para o presídio de Corumbá. Silvio é investigado por crime de organização criminosa para sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro decorrente da simulação de compra e venda de café em grãos em operações interestaduais. –

Ainda conforme o portal, de acordo com a advogada Tainara Torres, a defesa do empresário pediu o relaxamento da prisão temporária à Justiça do Paraná. –

Sonegação de R$ 1 bilhão

Na manhã de terça-feira (16/03) a Polícia Civil do Paraná deflagrou operação contra sonegação estimada em R$ 1 bilhão em impostos na comercialização de café. Foram cumpridos 220 mandados em quatro estados e em diversas cidades do Paraná, inclusive Santo Antônio da Platina e Carlópolis, atingindo o Grupo 2 Irmão, que atua nas duas cidades na comercialização e industrialização de café.

Ainda da manhã desta terça-feira o advogado do Grupo 2 Irmãos, Claudionor Benite, em declarações que deu ao site NP Diário, disse que a empresa está surpresa com a chamada Operação Expresso, realizada pela Policia Civil, auditores das receitas Estadual e Federal nas duas sedes da empresa. “Não há e jamais houve, desde 1997 de existência do Grupo, nenhum tipo de irregularidade tributária, estamos tranquilos e reagindo de maneira colaborativa, conscientes de que tudo será esclarecido com transparência e lisura”, afirmou Benite ao NP Diário.

Investigações

Sede do Grupo 2 Irmãos, em santo Antônio da Platina (Foto: divulgação)

Segundo as informações, a investigação foi realizada pela Deccor (Delegacia Estadual de Combate à Corrupção) e teve apoio na execução dos mandados pelos policiais da região do Norte Pioneiro.

Foram expedidos 35 mandados de prisão temporária, 124 de busca e apreensão e 61 de sequestro de bens decorrentes das investigações de crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa dos suspeitos.

Os alvos da operação são grandes atacadistas e corretores de café em grãos do Paraná, além de transportadores, proprietários e representantes de torrefações.

Quanto às empresas destinatárias das notas fiscais falsas no Paraná, a estimativa das investigações é que elas tenham acumulado créditos tributários fraudulentos de, aproximadamente, R$ 100 milhões, considerando que receberam cerca de R$ 1 bilhão em notas frias. Considerando as multas, o valor devido é de aproximadamente R$ 200 milhões de acordo com a polícia. Houve também sonegação de tributos federais. A suspeita é que as empresas deixaram de recolher R$ 200 milhões.

Neste caso, quando há intuito de fraude evidente, a multa é qualificada e corresponde a 150% do valor lançado, fazendo com que os valores devidos cheguem a R$ 500 milhões de reais.

Em uma residência no centro de Santo Antônio da Platina, onde mora um funcionário do Grupo 2 Irmãos, também preso, foram apreendidos aparelhos celulares e notebook por investigadores da Delegacia de Jacarezinho e cumprido mandado de prisão temporária de auxiliar administrativo de 40 anos.

A equipe da 38a Delegacia Regional de Santo Antônio da Platina, composta por investigadores e escrivã, também deu cumprimento a mandado de busca e apreensão no centro da cidade de Carlópolis e, no local, apreendeu uma garrucha, calibre 22 e quatro munições do mesmo calibre, além de R$ 427.000,00 em moeda nacional e estrangeira, sendo então preso em flagrante empresário Osvaldo Alves, de 54 anos.

No Paraná a operação foi deflagrada nas cidades de Londrina, Carlópolis, Cornélio Procópio, Ibaiti, Jandaia do Sul, Mandaguari, Maringá, Matinhos, Pérola, Rolândia e Santo Antônio da Platina.

Em relação á Cornélio Procópio e Ibaiti, o serviço de imprensa da Polícia Civil não revelou detalhes da apuração tais como prisões e apreensões.