Multidão se aglomera para fazer testes de Covid-19 em Joaquim Távora

População denuncia demora no atendimento e pessoas passando mal na fila

Da Redação

Mais de 100 pessoas compareceram na manhã de segunda-feira, 15 para realizar o teste de Covid-19
CRÉDITO: Divulgação

A grande quantidade de pessoas aglomeradas para realizar o teste de Covid-19, na manhã desta segunda-feira, 15, no Posto de Saúde Central em Joaquim Távora, chamou atenção da população. Revoltados com a situação, foram registradas várias denúncias ao Jornal Tribuna do Vale. A cena foi de verdadeiro descaso, pessoas vomitando, relatos de que um senhor caiu e bateu a cabeça e vários sintomáticos dividindo o mesmo espaço com pessoas suspeitas.

Uma das denunciantes foi Dayara Pereira, que perdeu a irmã Daiane Pereira da Costa, 34, para o coronavírus há menos de uma semana. Segundo Dayara, a irmã era hipertensa e foi internada por dificuldades respiratórias, e infelizmente não conseguiu um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi a óbito. “Não pude nem reconhecer o corpo, não houve despedida, uma situação horrível. Eu e minha mãe viemos fazer o teste por precaução, já que estivemos com contato com a minha irmã. E a cena foi de puro descaso, ficamos debaixo de sol, com uma fila imensa, muitos sintomáticos, aglomerados, e ninguém fez nada”, lamentou.

Dayara destaca que o Município deveria oferecer mais pontos de coleta para esse exame, pelo menos para separar os assintomáticos. “É um desprezo por nós que já estamos fragilizados com isso. Como se não pudesse piorar eu fiquei das 7h30 às 11h30 na fila, e a enfermeira disse que era para eu voltar após o almoço. Isso é muita falta de organização. O prefeito não quis me atender quando fui atrás dele. Engraçado que quando ele foi de casa em casa para pedir voto, ele não tinha medo da doença”, critica.

Sintomáticos e assintomáticos dividiram o mesmo espaço entre as filas
CRÉDITO: Divulgação

Outro morador que preferiu não se identificar também demonstrou sua revolta com a situação vivida. “O lugar que deveria servir como um ponto de coleta, nos parece um verdadeiro ponto de transmissão. Aqui contamina mais do que em qualquer outro lugar. Se a pessoa estava apenas com suspeita, agora ela corre sérios riscos de testar positivo após enfrentar uma situação triste como essa. É um descaso”, lamenta o morador.

Por telefone, a secretária Municipal de Saúde, Adalgiza Panichi, popularmente conhecida como “Branca”, reconheceu que realmente a demanda foi grande nesta segunda, receberam mais de 100 pessoas somente pela manhã. Branca justificou que a prefeitura já estava tomando providências para resolver o problema, porém, sem detalhar as soluções, acrescentou que ainda não tiveram tempo hábil para resolver nada em virtude da ‘correria’ que estava na secretaria para sanar as dificuldades.

A equipe de reportagem também conversou com o prefeito Reginaldo Vilela. Por telefone ele informou que foi um dia atípico na Saúde, pelo aparecimento de tantas pessoas, mas garantiu que já estão estudando novas medidas para evitar aglomerações. “Estamos trabalhando dentro da lei, em parceria com a Vigilância Sanitária e a Promotoria, inclusive a instalação da tenda foi um pedido do Ministério Público. Até cogitamos a mudança do ponto de coleta para o Ginásio de Esportes, mas temos todo um sistema a cumprir, não é uma medida tão simples. Por isso estamos ainda em estudo do melhor caminho para tomar, mas podem ter a certeza de que queremos resolver”, explica o prefeito.