Pacientes em tratamento de câncer perdem consultas e quimioterapia por falta de transporte

Transtorno ocorre mesmo com veículos novos no pátio; Famílias contam que prefeitura justifica falta de seguro nos automóveis

Da Redação

Enquanto pacientes são deixados para trás, veículos novos estão parados no pátio
CRÉDITOS: Antônio de Picolli

Santo Antônio da Platina vive um dos maiores descasos com a saúde da população nos últimos tempos. Pacientes fragilizados que estão em tratamento de câncer e precisam do transporte municipal para realizar consultas e quimioterapias, estão enfrentando um verdadeiro descaso do poder público. O medo assola, “quem será o próximo a ser deixado para trás?”, temem os pacientes.

Segundo os denunciantes, a falta de transporte para os pacientes já se prolonga por mais de uma semana. Nesta sexta-feira, 12, quatro pacientes foram deixados para trás. O que mais causa revolta, é que há vários veículos novos parados no pátio da prefeitura desde o mês de janeiro e mesmo assim deixam pacientes. Os denunciantes contam que a prefeitura justificou que os veículos não têm seguro, e por isso não podem circular.

Uma das vítimas é a vendedora, Luci da Silva, 48, que há mais de um ano em tratamento para câncer de mama. “Estão deixando pacientes para trás. A quimioterapia é um tratamento que não pode falhar e quem perder remarca com um mês de diferença. Estamos com medo, pensando em quem vai ser o próximo. A gente agenda consulta ou quimioterapia, vai até o ponto no meio da madrugada e simplesmente o ônibus não passa. Ninguém avisa nada”, desabafou.

Luci conta que já foi atrás dos responsáveis para esclarecer o transtorno, inclusive do prefeito José da Silva Coelho Neto, o “Zezão”, mas ele justificou que não sabia dos veículos que estavam no pátio. “Eles falam que não podem levar muitos pacientes, vão pegando nome, a pessoa fica esperando no ponto e eles não trazem para a consulta. Teve gente que pagou do bolso transporte particular para não atrasar o tratamento. Mas não são todos que tem condições, as coisas estão muito caras e pagamos impostos pra isso. É um direito nosso. O Zezão foi pedir voto na nossa casa, queremos respeito e apoio. Hoje quatro pessoas, madrugada, plantado lá e não consegue o carro”, lamenta a paciente.  

Outra vítima é o pai da professora, Sirlene Vieira Martins, 51, que aos 79 anos está em tratamento para câncer de pele e precisa de um acompanhante. Na quarta-feira passada, a cena se repetiu, foram para o ponto às 3h40 no posto da Vila Setti, esperaram pelo transporte até às 4h30 e sem respostas, imaginaram que o veículo não passaria para buscar o paciente. “Fomos de carro particular para não interromper o tratamento, gastamos R$ 56 só de pedágio, mais R$ 150 de combustível fora alimentação. Estou denunciando porque quero o melhor para todos, não é fácil passar por isso. A Casa de Apoio não está recebendo mais pessoas em virtude do coronavírus. As pessoas ficam exaustas, sentadas pelo chão, até tarde aguardando que todos os pacientes retornem. É triste!”, conta.

Sirlene ainda destaca que antes de acontecer essa situação, foi levar o pai até Londrina, durante a madrugada e chegando lá foi informada que não tinha consulta agendada. “Fomos até Londrina para passar por uma consulta que sequer existia. Não queremos briga, não queremos envolver política, queremos respeito e nosso direito”, disse a professora.

A equipe de reportagem da Tribuna do Vale tentou entrar em contato com o prefeito “Zezão”, com o chefe do transporte e com a secretária Municipal de Saúde, Gislaine Galvão, mas nenhum deles atendeu às ligações.