Norte Pioneiro registra 173 óbitos e 11.828 casos de Covid-19 nos dois primeiros meses de 2021

Desde o início da pandemia, o Norte Pioneiro do Paraná já registrou 488 óbitos e 25.003 da casos doença 

O Norte Pioneiro do Paraná registrou, nos dois primeiros meses de 2021, 11.828 casos da Covid-19. O número corresponde a 47% dos casos ocorridos na região durante toda a pandemia e 90% do total de casos registrados nos dez primeiros meses. Os municípios da região já somam 488 mortespela doença desde o início do quadro pandêmico, média de 1,4 morte por dia. Desses, 173 óbitos somente este ano. O dado preocupa pesquisadores e profissionais da saúde da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) que alertam para piora dramática e progressiva da pandemia e para a necessidade de cuidados para evitar o contágio e disseminação da doença. 

No domingo, 28 de fevereiro 2021, o Brasil completou 355 dias de pandemia de Covid-19. Nesse período, o Norte Pioneiro do Paraná registrou 25.003 casos da doença. Nos dez primeiros meses da pandemia, a região registrou, em média, 42 novos casos por dia. Nos últimos dois meses, o número saltou para a média de 200 novos casos por dia. “É o pior momento da pandemia no Brasil e no Norte Pioneiro do Paraná”, alerta o professor Pedro Henrique Carnevalli Fernandes.

O professor frisa que o aumento do número de casos pode ser explicado por uma série de fatores. “A flexibilização de atividades não essenciais; a ausência do isolamento social; a realização das aglomerações nas festas de final de ano e, principalmente, no período do carnaval. No final de 2020, o Norte Pioneiro tinha cerca de 13,1 mil casos e só nos dois primeiros meses de 2021 registrou 11,8 mil casos”, analisa o professor.

No Norte Pioneiro do Paraná, todos os 46 municípios já ultrapassaram a taxa de 1.800 casos de Covid-19 por cem mil habitantes. Há dois meses, eram 27 municípios. Naquele momento, apenas quatro municípios possuíam taxas maiores que 3.000 casos por cem mil habitantes, agora 40 municípios estão nessa condição.

A menor taxa de contaminação está em Tomazina, com 1.809 casos de Covid-19 por cem mil habitantes. A cidade é a única da região com taxa menor que 2.000 casos da doença por cem mil habitantes. Em contrapartida, Jataizinho apresenta a maior taxa, com 9.305 casos por cem mil. O Norte Pioneiro tem 12 municípios (26%) com taxas acima de 5.000 casos de Covid-19 por cem mil habitantes: Andirá, Bandeirantes, Conselheiro Mairinck, Cornélio Procópio, Figueira, Jacarezinho, Jataizinho, Leópolis, Nova Santa Bárbara, Santa Amélia, Santa Cecília do Pavão e Sapopema.

A região tem 44 cidades (96%) com óbitos registrados e apenas duas sem registro oficial de mortes pela Covid-19: Barra do Jacaré e Santo Antônio do Paraíso. A taxa de óbitos por Covid-19 no Norte Pioneiro é de 89 mortes por cem mil habitantes. Ao final de 2020, sete cidades (15% do total da região) tinham taxas acima de 100 mortes por Covid-19 por cem mil habitantes; agora, são 18 (39% do total) municípios com taxas nessa condição. O município de São José da Boa Vista tem a maior taxa de óbitos por Covid-19 – 184 mortes por cem mil habitantes. Santa Mariana aparece no segundo lugar (com 169) e Bandeirantes (com 152), no terceiro lugar.

Prevenção à Covid-19

A professora Simone Castanho Sabaini de Melo está desde o início da pandemia atuando na linha de frente na coordenação de ações de prevenção, cuidados e combate à pandemia por meio da Chamada 09, projeto vinculado ao Governo do Paraná. Acompanhando de perto a evolução da doença no Norte Pioneiro, ela frisa que o país e a região passam por uma das piores fases da crise sanitária.

“Infelizmente, parte da população tem minimizado os efeitos devastadores da pandemia. O número de infectados e mortos cresce dia a dia e nossa perspectiva de superar este momento fica cada vez mais distante”, pondera a professora. Simone disse que passamos da hora de intensificar os cuidados. “Precisamos agir como seres responsáveis com a nossa saúde e a do próximo. E também não podemos esquecer dos profissionais da área de saúde que atuam na linha de frente. O desgaste físico e mental em meio a sobrecarga de trabalho”, lembra a professora.

A enfermeira Maria José Quina Galdino, professora do curso de Enfermagem da UENP, pontua que o recorde de casos na nossa região reflete o cenário nacional, que registra mais de 10 milhões de casos confirmados, lotação de leitos nos hospitais e recorde de mortes em 24 horas no dia 25 de fevereiro. A professora alerta para o afrouxamento dos cuidados pessoais durantes os últimos dias, o que tem levado a escalada da doença na região. “Enquanto não dispormos de vacina para a maioria da população, precisamos reduzir os danos, evitando o contágio do coronavírus”, acentua.

A professora reitera a necessidade de se atentar para medidas simples para se evitar o contágio como higienizar com frequência as mãos com água e sabão ou álcool 70%; manter distância mínima de dois metros das pessoas que não moram na mesma casa; evitar abraços, beijos e apertos de mãos; utilizar máscara de tecido durante todo o período que estiver fora de casa, trocando-a sempre que estiver úmida ou a cada três horas; e evitar aglomerações, sobretudo as comemorações e festas.

“Caso apresente sintomas da doença, como febre, dor de cabeça, dor de garganta, dificuldade de respirar, tosse, náuseas, vômitos e perda de olfato e paladar procure atendimento na unidade de saúde mais próxima. Não há prazo para a vida voltar como era antes, mas precisamos nos adaptar a essa realidade para usufruir com saúde a vida que temos atualmente com as pessoas que amamos”, finaliza a professora.