Meio Ambiente

Represa de Chavantes está com menos de 10% de seu volume útil

Em menos de um mês, o nível do reservatório que divide os estados de SP e PR caiu mais da metade.

Situação da represa no bairro Triunfo, zona rural de Fartura. (Foto: Henrique Outeiro)


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Desde quando foi anunciado no início do mês pela concessionária CTG Brasil, responsável pelos reservatórios da região, que a represa de Chavantes teria sua vazão aumentada para compensar o nível de Jurumirim, a primeira viu o seu volume útil cair mais da metade, enquanto a segunda permaneceu com um índice próximo de 14%.

Nos últimos dias, o nível da água de Chavantes atingiu menos de 10% de sua capacidade total – no começo de dezembro, esse índice era de pouco mais de 20%. Já Jurumirim, que menos de 30 dias atrás estava com 14,89%, atualmente está com 13,49% de sua capacidade total.

Poucos dias depois do anúncio da CTG que iria modificar a vazão dos reservatórios, moradores da região já relatavam nas redes sociais baixas significativas na represa de Chavantes todo dia. O ritmo da queda do índice foi ficando menor, é verdade, mas o nível da água ainda continua baixando quase que diariamente, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O Conselho Municipal de Turismo (Comtur) de Fartura iniciou uma campanha para alertar a respeito da informação de que a concessionária CTG Brasil aumentou a vazão do reservatório de Chavantes para compensar o nível na ocasião ainda mais baixo de Jurumirim.

Cenário atual das represas da Bacia do Paranapanema, segundo dados desde domingo (27). (Foto: Reprodução/ONS)

Desde então, o volume da primeira represa foi caindo dia após dia, enquanto o de Jurumirim permaneceu estável. É importante ressaltar, porém, que neste período Capivara, o terceiro reservatório pertencente à Bacia do Paranapanema e que estava em situação mais crítica, recuperou um pouco de seu volume total.PUBLICIDADE

Representante da CTG Brasil, Marcio Peres explicou em entrevista à Rádio Avaré que a usina de Jurumirim é parte de uma cadeia de usinas que nos últimos três anos “tem enfrentado uma crise hídrica nunca vista antes” – sem citar, entretanto, as mudanças climáticas pelas quais o Brasil e o mundo passam. Peres comentou sobre a criação da Sala de Crise do Paranapanema e a atuação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Agência Nacional de Águas (ANA) e de órgãos ambientais no comitê, que têm se reunido quase toda semana.

No entanto, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o índice em Jurumirim chegou a ser o mais baixo da história da represa para o mês de dezembro e é considerado um recorde negativo – as medições começaram em 1993. A situação, que já se arrasta há mais de um ano, tem sido motivo de reclamações de moradores, comerciantes, trabalhadores e integrantes do poder público da região.

Na Ponte Prefeito Benedito Garcia Ribeiro, que divide os municípios de Fartura (SP) e Carlópolis (PR), a baixa da represa foi visível no último mês. (Foto: Henrique Outeiro)



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