Fazenda Ásia Menor pode se tornar Museu

Santuário Ecológico foi criado há décadas pelas mãos de Luiz Ribeiro Castro de Carvalho, popularmente conhecido como Luizão

Da Redação

Local rico na fauna e flora, tem árvores nativas, gruta, bambuzais, flores e muita área verde
CRÉDITO: Antônio de Picolli

A pequena e acolhedora cidade de Jaboti poderá ter em breve um Santuário Ecológico e Museu de Jaboti. Quem visita a Capital do Morango, e pergunta aos moradores sobre a propriedade rural de Luizão, a Fazenda Ásia Menor, prontamente 90% deles saberão ensinar como chegar até o espaço mágico e encantador.

O local, que vem sendo construído há décadas pelas mãos do mineiro, Luiz Ribeiro Castro de Carvalho, de 78 anos, apelidado carinhosamente de “Luizão”, ganha agora o apoio da comunidade para transformar as riquezas da fazenda num verdadeiro museu.

Rodeado por uma mata fechada, a fazenda representa um misto de belezas naturais associada a uma série de trabalhos manuais. Ao som das águas, dos pássaros, com o balanço da copa das árvores e as trilhas de pedra, colocadas uma a uma pelas mãos de Luizão, fazem da fazenda um lugar único.

Luizão não mediu esforços para mostrar as pessoas uma maneira diferente de tratar a natureza
CRÉDITO: Antônio de Picolli

A poucos passos após entrar na propriedade, já é possível sentir uma verdadeira sensação de paz, ao som da roda d’água em um pequeno lago na entrada. E para quem pensa que a fazenda fica distante da região central se engana, o paraíso de 10 alqueires está a poucos metros da imagem do cristo – um dos cartões postais da cidade.

O local tem uma verdadeira riqueza em se tratando de fauna e flora, com árvores nativas, gruta, bambuzais, flores e muita área verde revelam um arco-íris de cores dos pavões de Luizão. Já pensou tudo isso ser construído pelas mãos de apenas uma pessoa? Pois é, Luizão não mediu esforços para mostrar as pessoas uma maneira diferente de tratar a natureza.

“Minha intenção é perpetuar semente para o próximo e recuperar a natureza. Posso não rezar uma Ave Maria todos os dias, mas plantar eu planto, é o meu ritual sagrado, ensinamento de minha mãe. Praticamente todos os remédios são produzidos com base no que a natureza nos oferece, portanto temos que valorizar”, disse.

Fazenda ganha apoio da comunidade para transformar as riquezas da fazenda num verdadeiro museu
CRÉDITO: Antônio de Picolli

E como se não bastasse o belo gesto do mineiro em construir o belíssimo santuário ecológico, Luizão tem o dom de trabalhar com a madeira de demolição. Sua primeira arte foi construir um pião de brinquedo quando criança e a partir daí o artesão tem como seu maior hobby, estar em meio à natureza e em sua oficina onde dispõe de um verdadeiro antiquário de peças. Entre as raridades estão carroças de boi, a lindíssima roda d’água, imagens sagradas, bombas d’água, engenho de cana e muito mais.

“Minha vaidade é cuidar das árvores, meu lugar favorito é lá. Meu trabalho com madeira é dar “vida” para as árvores que já morreram. A floresta não precisa ter um calendário na vida para acontecer. Por isso, eu sinto cumprir o meu dever, aquilo que minha mãe exigia”, destaca.

Casado com Ivone de Oliveira Castro Carvalho há 57 anos, o mineiro de coração paranaense ainda tem mais planos para a propriedade. “Quero construir uma sala de aula a céu aberto. Porque recebemos a visita de muitas escolas. Os professores tem que passar isso para as novas gerações. Mostrar a importância da natureza, o nome das árvores e ser desapegado de vaidade”, orienta.

Neste final de semana, um grupo de voluntários denominado “Amigos do Luizão” vão realizar pela segunda vez um mutirão de limpeza na propriedade. A intenção é manter o ambiente limpo, apto a receber visitantes e prepará-lo para que em breve seja transformado em Santuário Ecológico e Museu de Jaboti. “A comunidade tem nos ajudado muito para manter o local. Esperamos que em breve esse sonho possa se tornar realidade”, finalizou a esposa de Luizão.