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Como ensinar e aprender na pandemia?

O sucesso como resultado da ação conjunta de pais, professores e estudantes.

Sergio Vale da Paixão


A tomada de consciência de todos os envolvidos no processo educativo, sejam eles pais, professores, estudantes e gestores das escolas de que estamos vivenciando um ano atípico no cenário da educação mundial, já justifica muito do que tem sido e do que não tem sido feito na nas escolas no ano de 2020.

Refiro-me pontualmente ao modo como iniciamos o trabalho com as atividades a distância, há alguns meses e que, em alguns casos, ainda permanece na proposta de trabalho de professores e escolas brasileiras. Algumas instituições de ensino, no afã de darem conta dos planejamentos construídos para 2020 sobrecarregam as crianças em casa de atividades com prazos e proposta avaliativas no mesmo modelo que ocorre no ensino presencial o que não colabora em nada, pelo contrário para que as aprendizagens ocorram.

Mudaram-se os tempos, os espaços e os materiais de ensino nesses últimos meses e, com isso, alteram-se também as formas de se ensinar e aprender, eis, portanto a urgência em se reconfigurar e resignificar as posturas de ensino e também de aprendizagem nas atividades remotas. Do caderno e do lápis, passamos a usar teclas e botões que deslizam. As lousas e o giz foram substituídos pelas telas, nos mais variados gêneros, do vídeo, aos documentos em versão pdf. Os horários sinalizados para a troca de aulas, bem como os intervalos para o lanche, agora se tornam flexíveis, a depender da rotina de cada aluno e de suas famílias.

Dos pais, espera-se a compreensão de que é preciso estar ainda mais presente na vida escolar dos filhos. Acompanhá-los em suas tarefas diárias e incentivá-los a manter ritmos saudáveis que equilibrem estudos e lazer nos espações virtuais que a internet oferece. Estar próximo dos grupos criados pelos professores para diálogos sobre os estudos e avaliações também é uma necessidade que não pode ser negligenciada.

Da gestão da escola e dos professores, sejam eles da educação infantil ao ensino superior, a consciência de que é preciso minimizar a quantidade de conteúdo, alterar as formas de avaliação e adaptar os conteúdos do currículo as necessidades dos estudantes, priorizando aqueles que de fato farão a diferença para as crianças nesse período em que vivemos. Além do mais, ter sempre posturas de acolhimento em toda e qualquer hora em que a família e estudantes precisarem de ajuda.

Dos estudantes, a consciência de que não se pode parar, pelo contrário, é hora de dedicação e oportunidades de se conhecer as ciências e o mundo a sua volta de uma forma diferente em que a disciplina e engajamento, e uma boa dose de respeito aos educadores e familiares são elementos essenciais para resultados satisfatórios, sejam eles na vida pessoal, profissional ou acadêmica. Somente por meio das leituras é que alcançarão êxitos naquilo que sonham e buscam.

Ainda que soe como clichê é válido insistir na ideia de que é na adversidade que encontramos oportunidades. Não seria diferente quando o assunto é a educação. Vivemos um ano atípico, triste e cheio de medos e incertezas, mas não podemos deixar de considerar que as oportunidades de nos auto conhecer convidativa em tempos de pandemia. Que tenhamos sensibilidade para enxergar tudo o que o atual contexto nos apresenta como forma de sermos melhores como profissionais da educação, como pais que se preocupam com a formação dos filhos e, claro, como estudantes que buscam e se interessam em aprender sempre mais para ser cada dia melhores.

Sergio Vale da Paixão é autor de livros sobre educação e tecnologias. Professor do IFPR de Jacarezinho. Doutor em Psicologia (UNESP) e Mestre em Estudos da Linguagem (UEL). Lança em 2020 Inácio, larga esse celular!, uma obra infanto-juvenil sobre o uso excessivo do smartphone.

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